O ódio a Bolsonaro já não tem limites — e isso é perigoso para todos
Em meio a uma das maiores crises institucionais da história recente, uma constatação inquietante se impõe: o ódio a Jair Bolsonaro ultrapassou todos os limites do razoável e está cegando parte expressiva da sociedade brasileira.
Não importa mais o argumento jurídico, a legalidade das decisões, os princípios constitucionais ou as consequências para o futuro do país. Tudo parece justificável — desde que atinja Bolsonaro. Prender, censurar, restringir, isolar, reprimir. Vale tudo. Inclusive rasgar direitos fundamentais.
Há, sim, quem esteja consciente do que está acontecendo e escolha se calar ou até apoiar por conveniência ideológica ou política. Outros — talvez a maioria — agem como inocentes úteis, aplaudindo decisões autoritárias sem perceber que os alvos de hoje podem ser apenas os primeiros da fila.
Essa postura irracional e perigosa tem gerado um fenômeno grave: o país se acostuma com o absurdo. Quando um ex-presidente da República pode ser preso por dar uma entrevista, e isso é celebrado como “vitória da democracia”, é sinal de que algo muito profundo se rompeu na consciência coletiva.
E a questão aqui vai muito além de Jair Bolsonaro. Não se trata de defender ou idolatrar uma figura política. Trata-se de enxergar que o desmonte do Estado de Direito, quando aplaudido por paixões políticas, abre caminho para um autoritarismo sem freios, sem controle e sem volta.
O problema é que essa cegueira coletiva transforma qualquer alerta em “defesa do bolsonarismo”. Basta apontar os excessos, questionar a censura ou levantar dúvidas sobre decisões judiciais para ser automaticamente rotulado como cúmplice, extremista ou retrógrado.
Estamos perdendo a capacidade de pensar. De pesar os fatos, de compreender os riscos institucionais, de manter o mínimo de equilíbrio. A raiva virou bússola. E, guiados por ela, muitos estão dispostos a sacrificar a própria liberdade — desde que Bolsonaro seja o sacrificado primeiro.
A democracia não morre de um golpe. Ela morre aos poucos, com o silêncio cúmplice, a indiferença dos bem-intencionados e o aplauso irracional dos apaixonados. Quando a justiça se transforma em vingança, quando a legalidade é moldada pela conveniência política, quando o inimigo se torna o único critério de certo ou errado, não há mais República: há apenas disputa de poder sob escombros de liberdade.
O Brasil já viveu dias sombrios. Mas raras vezes a escuridão foi tão voluntária.

Sorry, the comment form is closed at this time.