Premier do Nepal cai após bloquear Facebook e Instagram em meio a onda de protestos sangrentos

Premier do Nepal cai após bloquear Facebook e Instagram em meio a onda de protestos sangrentos

Katmandu — O Nepal viveu nas últimas 48 horas uma reviravolta dramática. O estopim da crise política foi a decisão do governo de bloquear o acesso ao Facebook e ao Instagram, sob o argumento de combater “fake news” e “discursos de ódio”. A medida, anunciada no fim de semana, foi interpretada pela população como uma tentativa de censura e controle da liberdade de expressão.

A resposta veio rápido: milhares de manifestantes tomaram as ruas de Katmandu e de outras cidades. Os protestos, inicialmente pacíficos, se intensificaram após a repressão policial, que deixou pelo menos seis mortos e dezenas de feridos. Em meio ao caos, o Parlamento passou a pressionar pelo fim da escalada autoritária.

Na noite de segunda-feira (8), o primeiro-ministro K.P. Sharma Oli apresentou sua renúncia, admitindo que perdeu apoio político e popular. Nesta terça (9), o país amanheceu sem líder definido, enquanto partidos disputam o comando da transição.

A queda de Oli não se explica apenas pela decisão de censurar redes sociais, mas ela foi o estopim de uma insatisfação acumulada com inflação alta, desemprego e denúncias de corrupção. Ainda assim, a lição é clara: mexer com a liberdade digital, em tempos de hiperconexão, pode custar caro a qualquer governo.

O paralelo com o Brasil

A situação no Nepal serve de alerta para outros países, inclusive o Brasil, onde avança a discussão sobre regulação das redes sociais. Defensores alegam que o objetivo é combater crimes virtuais; críticos temem censura disfarçada de legislação.

No caso nepalês, a tentativa de controlar o que circula na internet acendeu o pavio de uma crise que culminou com a renúncia do chefe de governo. A provocação é inevitável: será que, em solo brasileiro, uma medida semelhante teria espaço sem provocar reações semelhantes?

Seja no Nepal ou no Brasil, uma coisa fica evidente: em tempos digitais, mexer com a voz das ruas é também mexer com as redes. E ignorar essa força pode custar o cargo.

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