Nepal derruba premier após censura digital — Brasil flerta com o mesmo risco?
Katmandu — O Nepal viveu nesta semana um terremoto político. O primeiro-ministro K.P. Sharma Oli renunciou após tentar bloquear Facebook e Instagram no país. A justificativa oficial era “combater fake news”, mas a medida caiu como uma bomba: protestos explodiram em todo o país, deixando mortos e feridos.
A pressão foi insustentável. Sem apoio popular e com o Parlamento em ebulição, Oli deixou o cargo em meio a uma crise de legitimidade. O recado da população nepalesa foi direto: a liberdade digital não se negocia.
O paralelo incômodo com o Brasil
Enquanto isso, do outro lado do mundo, o Brasil segue discutindo a chamada “regulação das redes sociais”. O governo Lula defende maior controle sobre plataformas digitais, alegando combater crimes virtuais. Mas críticos alertam que a proposta pode abrir espaço para censura — justamente o estopim que derrubou o premier do Nepal.
A provocação é inevitável: será que o Brasil está ensaiando os mesmos passos que levaram à queda de Oli? Se um bloqueio parcial no Nepal foi suficiente para virar o país de ponta-cabeça, o que aconteceria caso medidas mais duras fossem aplicadas em solo brasileiro?
Em Katmandu, a rua falou mais alto que o gabinete. Por aqui, resta saber se a democracia brasileira terá maturidade para garantir liberdade sem cair na tentação de silenciar o contraditório.

Sorry, the comment form is closed at this time.