MPF recomenda suspensão da limpeza na Avenida Soares Lopes e decisão gera reação em Ilhéus

MPF recomenda suspensão da limpeza na Avenida Soares Lopes e decisão gera reação em Ilhéus

Uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) provocou debate e preocupação entre moradores de Ilhéus após orientar a paralisação imediata das ações de limpeza e intervenção na faixa de praia da Avenida Soares Lopes. A medida foi assinada pelo procurador Bruno Olivo de Salese tem como base a alegação de que a área possui vegetação nativa protegida.

Segundo o MPF, o trecho é classificado como Área de Preservação Permanente (APP) inserida no bioma Mata Atlântica, o que exige autorização específica para qualquer tipo de supressão vegetal. A recomendação foi emitida em 12 de novembro de 2025, mas, conforme o próprio órgão, os serviços de limpeza teriam sido mantidos pela prefeitura até pelo menos o mês de dezembro.

A interrupção das ações reacendeu um sentimento de insegurança entre frequentadores da orla e moradores da região. Parte da população teme que o espaço volte a ser tomado pelo matagal, situação que, segundo relatos, já favoreceu episódios de violência, uso de drogas e até crimes sexuais, tornando o local pouco acessível, especialmente para mulheres.

Durante o período de limpeza, equipes da Secretaria de Serviços Urbanos relataram ter encontrado bolsas e roupas femininas no local, o que reforçou a percepção de que a área era utilizada como ponto para práticas criminosas. Para moradores, a intervenção devolveu o uso do espaço à população e ampliou a sensação de segurança.

Aposentada e moradora do bairro do Pontal, Sandra de Azevedo afirmou apoiar a iniciativa do município. “Depois da limpeza, consegui voltar a caminhar com tranquilidade pela manhã. Antes, o medo era constante”, relatou. Já dona Lourdes, de 72 anos, moradora do Alto São Sebastião, questionou a decisão do MPF e defendeu a continuidade dos serviços, afirmando que não havia vegetação significativa no local há décadas.

Até o momento, o procurador Bruno Olivo de Sales não se manifestou publicamente sobre como o MPF pretende conciliar a proteção ambiental com as demandas de segurança pública levantadas pela população. Entre os questionamentos feitos por moradores estão a existência de soluções técnicas que permitam a manutenção da área limpa e o reforço da segurança enquanto a recomendação estiver em vigor.

O impasse evidencia um desafio recorrente em cidades litorâneas: equilibrar a preservação ambiental com a garantia de espaços urbanos seguros e acessíveis à população.

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