“Não vai dar em nada”: frase atribuída a médico condenado por estupro revolta e amplia indignação após atuação em Itabuna
A revelação de que um médico ginecologista condenado por estupro de vulnerável chegou a atuar por meses no Hospital Manoel Novaes, em Itabuna, ganhou contornos ainda mais graves após a divulgação de trechos da decisão judicial que expõem a postura do profissional diante da vítima.
Segundo a sentença, após violentar sexualmente uma paciente de 22 anos dentro de um hospital municipal em Vila Velha, no Espírito Santo, o médico Ricardo Ramos Pereira teria desdenhado da gravidade do crime e afirmado à vítima que “não ia dar em nada”, alegando ter “anos de profissão”. A declaração, registrada no processo, reforçou para a Justiça a frieza e o abuso de poder praticados durante o atendimento.
O caso ocorreu quando a jovem, que havia sofrido um aborto espontâneo e passado por um procedimento de curetagem, procurou atendimento médico por sentir dores. Durante a consulta, ela relatou comportamento invasivo e inadequado por parte do ginecologista. Ao se levantar da maca para se vestir no banheiro do consultório, foi seguida pelo médico, que cometeu o abuso sexual.
Uma perícia realizada no local encontrou material genético do acusado, o que fortaleceu as provas e resultou na condenação do médico a oito anos de prisão em regime fechado, em primeira instância, por estupro de vulnerável.
Apesar da sentença, o profissional conseguiu seguir exercendo a medicina em outros estados e chegou a realizar plantões na área de Obstetrícia em Itabuna, fato que causou indignação entre moradores e reacendeu o debate sobre falhas nos mecanismos de controle e comunicação entre conselhos de classe e unidades hospitalares.
A Santa Casa de Itabuna informou que, à época da contratação, exigiu certidão ética emitida pelo Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb), documento que não apontava impedimentos ao exercício profissional. O médico acabou afastado após a repercussão do caso. Procurado, o Cremeb não se manifestou até o momento.
A frase atribuída ao médico — “não vai dar em nada” — passou a simbolizar, para muitos, a sensação de impunidade que ainda cerca crimes cometidos dentro de ambientes que deveriam oferecer cuidado e proteção. O episódio levantou críticas duras sobre a necessidade de maior rigor na fiscalização, transparência entre instituições e prioridade absoluta à segurança dos pacientes.
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