Cesta básica encerra 2025 com alta expressiva no sul da Bahia, revela levantamento da Uesc
O custo da cesta básica terminou 2025 pressionando o orçamento das famílias no sul da Bahia. Dados do projeto Acompanhamento do Custo da Cesta Básica (ACCB), desenvolvido pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), mostram aumentos relevantes em dezembro nas cidades de Ilhéus e Itabuna, superando com folga os índices oficiais de inflação registrados no mesmo período.
Ilhéus
Em Ilhéus, a ração essencial mínima registrou elevação de 14,75% em dezembro, alcançando R$ 517,95. A variação ficou muito acima do IPCA-15 da Região Metropolitana de Salvador (0,41%) e do índice nacional (0,25%).
Entre os 12 produtos pesquisados, dez apresentaram alta. O maior impacto veio da carne bovina, que teve aumento de 44,87% no município — percentual bem superior ao observado em Salvador. Também pesaram no bolso itens como banana (25,22%), café (16,73%) e tomate (10,91%). Apenas leite (-4,15%) e pão (-2,55%) tiveram redução.
Com esses valores, um trabalhador que recebe um salário mínimo precisou comprometer cerca de 36,9% da renda líquida apenas para adquirir a cesta básica, o equivalente a mais de 81 horas de trabalho no mês.
Itabuna
Em Itabuna, o aumento foi menor em termos percentuais, mas o custo total permaneceu mais elevado. A cesta básica subiu 4,36% em dezembro e fechou o mês em R$ 572,74.
Os principais responsáveis pela alta foram o tomate, com reajuste de 17,84%, e o óleo de soja, que subiu 17,16%. Dos 12 itens avaliados, 11 ficaram mais caros, com exceção do leite, que apresentou leve queda.
O impacto sobre o orçamento do trabalhador itabunense foi ainda mais pesado: cerca de 40,8% do salário mínimo líquido foi necessário para a compra dos alimentos básicos, exigindo quase 90 horas de trabalho.
Análise e projeções
Segundo os pesquisadores da Uesc, o avanço dos preços da carne está ligado à oferta restrita no mercado interno e à forte demanda externa. Já o óleo de soja sofreu pressão do setor de biodiesel, enquanto o tomate foi afetado pelo encerramento da safra de inverno.
No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, porém, o balanço anual aponta retração no custo da cesta: queda de 12,97% em Ilhéus e de 3,96% em Itabuna. Apesar disso, projeções baseadas em modelos estatísticos indicam tendência de novos aumentos no primeiro trimestre de 2026, impulsionados por fatores sazonais, turismo e maior consumo durante o período de férias.
Para os consumidores da região, o cenário evidencia que, mesmo com inflação nacional sob controle, os preços locais dos alimentos seguem como um dos principais desafios para o orçamento familiar.
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