Valderico “tem o molho”
Na Bahia, quando se diz que alguém “tem o molho”, ninguém está falando de receita. Está falando de jeito, de manha, de senha. É quem sabe chegar, sabe conduzir, sabe fazer acontecer — e faz de um jeito gostoso, natural, sem esforço aparente.
É nesse sentido, bem nosso, que a expressão cabe no momento vivido por Ilhéus: Valderico “tem o molho”.
O resgate das festas populares não acontece só com palco montado e atração contratada. Acontece quando existe leitura de povo, de clima, de tempo certo. Quando se entende que cultura não é só agenda — é sentimento, memória e pertencimento.
O São João voltou forte, com cara de São João. O Réveillon ganhou peso de evento de cidade. E a Lavagem das Escadarias mostrou que tradição não se empurra: se conduz. Tudo fluiu com naturalidade, como quem conhece o ritmo e sabe a hora de entrar no compasso.
Esse “molho” não está no exagero, nem na pose. Está na sensibilidade de entender que festa boa é aquela que o povo reconhece como sua. Que turismo cresce quando a cidade se sente viva. Que cultura não precisa ser engessada para ser respeitada.
Não é só sobre eventos. É sobre jeito de fazer. Sobre saber misturar gestão com identidade, organização com emoção, planejamento com espontaneidade. É aí que mora o molho.
E quando a cidade sente, ela responde. Ocupa as ruas, participa, celebra. Porque no fim das contas, todo mundo percebe quando alguém não força a mão — apenas tem a manha.
Se “ter o molho” é saber fazer direito, com leveza, leitura e conexão real com o povo, o momento atual deixa claro: Ilhéus reconhece quem sabe temperar a cidade.

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