Produtores de cacau articulam protesto contra importação africana e cogitam bloqueio no Porto de Ilhéus

Produtores de cacau articulam protesto contra importação africana e cogitam bloqueio no Porto de Ilhéus

Produtores de cacau do sul da Bahia discutem a realização de uma manifestação que pode resultar na paralisação temporária do Porto de Ilhéus. A mobilização ganhou força após a chegada de um carregamento de cerca de 10 mil toneladas de cacau importado da África, destinado à empresa Cargill, fato que agricultores associam à forte queda no preço da arroba do produto no mercado regional.

Segundo relatos que circulam em grupos de WhatsApp formados por produtores, o valor da arroba chegou a R$ 276 nesta quinta-feira (22), patamar considerado inviável para a atividade. A principal queixa é que a entrada do cacau estrangeiro ocorre em pleno período de colheita local, ampliando a oferta e pressionando os preços pagos ao produtor baiano.

Além do impacto econômico, os agricultores levantam críticas relacionadas à origem do produto importado. Eles apontam que parte do cacau africano é cultivada em países como Costa do Marfim e Gana, frequentemente alvo de denúncias internacionais envolvendo exploração de mão de obra, trabalho infantil e condições análogas à escravidão. Para os produtores locais, isso configura uma concorrência desleal, já que a produção brasileira segue exigências trabalhistas e ambientais mais rigorosas.

A insatisfação também recai sobre entidades representativas do setor. Nas mensagens compartilhadas entre os agricultores, há cobranças por posicionamentos mais firmes de sindicatos e associações, acusados de demora ou omissão diante da crise de preços. Alguns produtores defendem ações mais diretas para chamar a atenção das autoridades e do mercado.

Procurada, a Cargill informou, por meio de nota, que atua em conformidade com a legislação brasileira e internacional e que suas importações seguem protocolos de verificação voltados a padrões éticos na cadeia produtiva. A empresa, no entanto, não comentou diretamente os reflexos da operação sobre o mercado local.

Entidades ligadas à produção cacaueira afirmaram acompanhar a situação com preocupação e avaliar os efeitos da importação, enquanto representantes do Sindicato dos Produtores Rurais de Ilhéus disseram não apoiar bloqueios ou fechamento do porto, mas sinalizaram a possibilidade de uma reunião emergencial para discutir o cenário.

Enquanto as discussões institucionais avançam, a mobilização entre os produtores segue crescendo nas redes sociais. Um eventual protesto no acesso ao Porto de Ilhéus é cogitado para os próximos dias, caso não haja resposta concreta das autoridades ou do setor comprador.

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