Representantes do transporte rebatem versão sobre paralisação “ficou parecendo que nós fomos os culpados e não

Representantes do transporte rebatem versão sobre paralisação “ficou parecendo que nós fomos os culpados e não

Representantes das categorias de táxi, motoristas de aplicativo, vans e locadoras contestaram a forma como foi interpretada a paralisação registrada na entrada do Porto de Ilhéus, ocorrida na manhã de quinta-feira (22). O tema foi discutido nesta sexta-feira (23) em entrevista a um programa de rádio local, quando os trabalhadores afirmaram que o ato não pode ser apontado como responsável pela decisão da MSC Cruzeiros de suspender operações no município nas temporadas 2026/2027.

O ex-presidente do Sindicato dos Taxistas de Ilhéus, Jailson Nascimento, disse ter sido surpreendido com a repercussão atribuída à paralisação. Segundo ele, a mobilização acabou sendo apresentada como fator determinante para a possível ausência de navios no futuro, o que, na avaliação da categoria, não corresponde à realidade. “Ficou parecendo que nós fomos os culpados, e não é verdade”, afirmou.

Durante a entrevista, Jailson relatou que buscou informações oficiais e não encontrou registros que confirmassem a versão divulgada sobre o impacto direto da manifestação. Para os trabalhadores, a decisão da MSC envolve um conjunto mais amplo de fatores, especialmente ligados a custos operacionais e à forma como o porto é administrado.

Outro ponto destacado foi a posição do próprio secretário municipal de Turismo, que reconheceu publicamente que a paralisação não pode ser vista como causa única do problema. De acordo com os representantes do transporte, Ilhéus funciona como porto de passagem, o que eleva despesas das operadoras de cruzeiro, sem garantir retorno financeiro proporcional. Nesse contexto, a manifestação teria sido, no máximo, um episódio secundário dentro de um cenário já desfavorável.

Os entrevistados também ressaltaram que o direito à manifestação deve ser respeitado, mas reconheceram que ações desse tipo precisam considerar o impacto sobre turistas e trabalhadores que dependem diretamente da atividade portuária. Ainda assim, reforçaram que as categorias vêm cumprindo seu papel no receptivo e no atendimento aos visitantes.

As críticas mais duras foram direcionadas à Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba). Segundo Jailson, a principal insatisfação das empresas de cruzeiro está relacionada ao atual modelo de operação no porto, que impede o acesso direto de veículos de transporte de passageiros e obriga o uso de ônibus de transbordo. Ele afirmou que, por décadas, táxis, vans e outros veículos circularam no porto sem registros de acidentes, até que a restrição foi imposta.

Além da questão operacional, os trabalhadores apontam o custo elevado do modelo atual, estimado em cerca de R$ 35 mil por navio apenas com o transporte de passageiros até o centro de convenções. Para a categoria, esse fator pesa mais na decisão das operadoras do que qualquer paralisação pontual.

Representantes das vans relataram ainda que o descontentamento com a gestão do porto não é recente e que reuniões anteriores com a Codeba não resultaram em mudanças. Eles afirmam que não aceitam regras que favoreçam apenas um tipo de transporte e defendem um modelo mais equilibrado e dialogado.

Para Jailson Nascimento, a suspensão das escalas também pode fazer parte de uma estratégia das empresas para pressionar a administração portuária a rever taxas, custos e regulamentos. Segundo ele, os entraves existem há anos e só serão superados com diálogo e revisão das normas que regem a operação no Porto de Ilhéus.

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