Pescador encontra gravuras rupestres durante expedição de caiaque em rio no Sul de Roraima

Pescador encontra gravuras rupestres durante expedição de caiaque em rio no Sul de Roraima

Uma expedição de caiaque pelo rio Jatapu, no município de Caroebe, no Sul de Roraima, resultou em uma descoberta histórica. O pescador esportivo Marcell Reis, de 33 anos, localizou cerca de 30 gravuras rupestres esculpidas em pedras às margens do rio. O achado aconteceu após vários dias de navegação por áreas isoladas da região amazônica.

Segundo Marcell, em entrevista ao g1, os desenhos começaram a aparecer depois de aproximadamente sete dias de viagem, durante uma expedição que durou nove dias e percorreu cerca de 70 quilômetros do rio. Ele contou que estava acompanhado da esposa quando encontrou as primeiras inscrições.

O pescador relatou que as gravuras não estão concentradas em um único ponto, mas espalhadas por diferentes trechos do rio. Em alguns locais, ele encontrou poucos desenhos, enquanto em outros identificou mais de 20 registros.

Ainda em entrevista ao g1, Marcell afirmou que a descoberta trouxe uma sensação única. Segundo ele, encontrar as inscrições foi como fazer uma verdadeira viagem ao passado, despertando curiosidade sobre quem produziu os desenhos e qual seria o significado das figuras.

Após encontrar as marcas, o pescador registrou imagens em fotos e vídeos e compartilhou nas redes sociais, onde uma das gravações, que aparenta representar um sol, teve grande repercussão.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que as gravuras encontradas não estão vinculadas a nenhum sítio arqueológico oficialmente catalogado. A situação levanta a possibilidade de que o local seja o primeiro sítio arqueológico identificado no município.

Especialistas explicam que, embora seja necessário um estudo detalhado para confirmar a idade exata das inscrições, análises preliminares indicam que elas podem ter sido feitas há cerca de 3 mil anos antes de Cristo. De acordo com o professor e pesquisador em arqueologia Francisco de Paula Brito, ouvido pelo g1, os traços observados nas imagens sugerem a presença de diferentes estilos rupestres, o que pode indicar que vários povos antigos passaram pela região ao longo do tempo.

O pesquisador destacou que alguns desenhos apresentam características semelhantes ao estilo Aishalton, conhecido por retratar elementos da natureza, como animais, plantas e figuras humanas. Outros registros também apresentam semelhanças com tradições arqueológicas da Amazônia e da região das Guianas.

Durante a expedição, Marcell relatou que os desenhos são difíceis de identificar sem observação detalhada, já que estão em meio a diversas formações rochosas ao longo do rio. Ele também destacou os desafios enfrentados na travessia, como corredeiras, mata fechada e a presença de animais silvestres, comuns na região amazônica.

Especialistas apontam que as gravuras provavelmente foram feitas por povos ancestrais indígenas que ocupavam a região e utilizavam os rios como rotas de deslocamento e troca cultural. Em algumas pedras também foram identificadas marcas conhecidas como polidores, utilizadas por populações antigas para afiar ferramentas de pedra.

O Iphan reforça que qualquer vestígio arqueológico encontrado no território brasileiro é automaticamente protegido por lei federal, mesmo que ainda não esteja registrado oficialmente. O órgão orienta que, ao localizar possíveis sítios históricos, a população deve apenas registrar imagens, evitar qualquer intervenção no local e comunicar a descoberta às autoridades responsáveis para garantir a preservação do patrimônio histórico.

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