Polêmica sobre R$ 3 milhões devolvidos pela Câmara gera questionamentos em Ilhéus
Uma devolução de mais de R$ 3 milhões feita pela Câmara Municipal de Ilhéus à Prefeitura no fim de 2024 virou tema de debate político e administrativo na cidade. O caso envolve o ex-presidente do Legislativo Paulo Carqueija, o atual secretário municipal de Infraestrutura Gabriel Andrade e moradores do Alto da Tapera, que aguardam a conclusão de uma obra de contenção de encosta na Ladeira Rio Almada.
Segundo Paulo Carqueija, que presidia a Câmara à época, o valor corresponde a recursos que sobraram do orçamento do Legislativo em 2024 e foram devolvidos aos cofres municipais. O montante teria sido transferido para a chamada “fonte zero”, um tipo de classificação contábil que permite ao Executivo utilizar os recursos sem destinação previamente definida.
De acordo com o vereador, o então prefeito Mario Alexandre teria informado, na ocasião, que parte do dinheiro — cerca de R$ 1 milhão — seria destinada à obra de contenção da encosta na Ladeira Rio Almada, acesso importante para o bairro Alto da Tapera.
Secretaria afirma que valor não foi localizado
O assunto ganhou repercussão após declarações do secretário de Infraestrutura durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Ilhéus FM. Segundo Gabriel Andrade, quando a atual gestão assumiu a prefeitura, o recurso mencionado não foi encontrado nas contas do município.
De acordo com o secretário, a equipe técnica acompanha a situação desde o início do ano para tentar viabilizar a retomada da obra. Ele afirmou que, ao analisar os registros financeiros da prefeitura, não foi identificado o valor que teria sido destinado ao projeto.
Em resposta, Paulo Carqueija explicou que o recurso não possuía destinação específica no momento da devolução, justamente por ter sido encaminhado para a “fonte zero”, o que poderia dificultar a identificação direta do dinheiro dentro do caixa único do município.
Obra segue sem conclusão
A contenção de encosta na Ladeira Rio Almada é uma demanda antiga dos moradores do Alto da Tapera, principalmente por se tratar de uma área considerada vulnerável em períodos de chuvas intensas.
Em 2023, a prefeitura chegou a realizar licitação para a obra de estabilização da encosta, com valor estimado em cerca de R$ 1,6 milhão. Apesar do processo licitatório e da contratação da empresa responsável, moradores relatam que os trabalhos não avançaram e a obra segue paralisada.
Enquanto o impasse sobre os recursos continua, a população da região segue aguardando uma solução definitiva para o problema.
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