Vereadora Enilda aponta falta de planejamento e problemas estruturais na educação de Ilhéus
Durante a sessão da Câmara Municipal de Ilhéus realizada na tarde desta terça-feira (10), a professora e vereadora Enilda Mendonça apresentou um panorama crítico sobre a situação da educação no município, destacando problemas estruturais, pedagógicos e de gestão que, segundo ela, se arrastam há décadas.
Com quase 36 anos de atuação e acompanhamento da rede municipal de ensino, a parlamentar contextualizou sua análise a partir da experiência como educadora e militante da área. Ao longo do discurso, ela organizou sua avaliação em três eixos principais: infraestrutura escolar, questões pedagógicas e alimentação nas unidades de ensino.
No campo da infraestrutura, a vereadora afirmou que grande parte das escolas municipais ainda funciona em espaços inadequados, muitos deles improvisados ou adaptados, sem condições adequadas para estudantes e profissionais da educação. Segundo ela, o problema não é recente e atravessa diferentes administrações municipais ao longo de décadas, sem que tenha havido uma política consistente de construção de novas unidades escolares. Para a parlamentar, a ausência de planejamento de longo prazo fez com que o município permanecesse dependente de reformas sucessivas em prédios precários, em vez de investir na criação de estruturas próprias e adequadas para o funcionamento das escolas.
Ainda sobre infraestrutura, Enilda destacou que a situação só não é mais grave porque o governo estadual, em alguns momentos, construiu novas unidades escolares e repassou prédios antigos ao município, o que acabou ampliando a rede municipal. Mesmo assim, ela afirmou que a cidade já perdeu oportunidades de ampliar seu patrimônio educacional ao não aceitar determinadas doações de prédios que poderiam ter sido incorporados à rede pública.
No eixo pedagógico, a vereadora chamou atenção para a alta rotatividade de professores na rede municipal, apontando que o número de profissionais contratados temporariamente supera o de docentes efetivos. De acordo com ela, essa realidade compromete a continuidade do trabalho pedagógico e dificulta o funcionamento adequado do sistema de ciclos adotado pelo município. A parlamentar também destacou os desafios relacionados à educação inclusiva, afirmando que muitas escolas ainda não conseguem atender adequadamente estudantes com necessidades educacionais especiais. Segundo ela, há casos de alunos que sequer iniciaram o ano letivo por falta de profissionais de apoio para o coensino.
Outro ponto criticado foi a falta de planejamento na oferta da alimentação escolar. A vereadora afirmou que, neste início de ano letivo, as escolas não receberam alimentos novos e estão utilizando apenas estoques remanescentes do ano anterior. Ela citou que o processo de licitação para aquisição de merenda foi aberto apenas no final de dezembro, a poucas semanas do início das aulas, o que teria gerado risco previsível de desabastecimento.
Durante a fala, Enilda também questionou a forma como a gestão da educação municipal está organizada. Segundo ela, a Secretaria de Educação não possui autonomia plena para executar decisões administrativas essenciais, como a realização de licitações, o que comprometeria a governabilidade da pasta e a agilidade na resolução de problemas. A vereadora relatou ainda situações em que o início das aulas foi adiado em determinadas escolas por falta de intervenções simples da Secretaria de Obras e mencionou casos em que gestores escolares precisam arcar com despesas básicas do próprio bolso, como a compra de cadeados ou itens de cozinha.
Ao final da intervenção, a parlamentar avaliou que, passados cerca de 15 meses da atual administração municipal, ainda não houve mudança significativa na condução das políticas educacionais em relação a governos anteriores. Para ela, sem planejamento e mudança de estratégia, a cidade corre o risco de continuar enfrentando os mesmos problemas nos próximos anos.
A vereadora também informou que pretende provocar o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia para apurar inconsistências nos dados de execução orçamentária da educação divulgados pela prefeitura. Segundo ela, relatórios publicados no Diário Oficial em diferentes datas apresentaram índices distintos sobre o percentual de recursos aplicados na área, o que, em sua avaliação, exige esclarecimentos e fiscalização.

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