Marido de PM morta diz que ela pode ter apertado o próprio pescoço: “para me incriminar”

Marido de PM morta diz que ela pode ter apertado o próprio pescoço: “para me incriminar”

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, negou ter matado a própria esposa, a soldado da Polícia Militar do Estado de São Paulo Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada baleada dentro do apartamento do casal, em São Paulo.

Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record TV, o militar afirmou que a companheira pode ter tirado a própria vida e acusou familiares dela de criarem uma “narrativa mentirosa” para responsabilizá-lo.

A morte da policial é investigada pela Polícia Civil de São Paulo como possível feminicídio, mas o oficial sustenta que não teve participação no caso.

Militar questiona vídeo e cita possível uso de inteligência artificial

Durante a entrevista, o tenente-coronel comentou sobre um vídeo que circula nas redes sociais relacionado ao caso e afirmou acreditar que o material possa ter sido manipulado.

“Esse vídeo que estão divulgando não corresponde à realidade. Isso pode ter sido feito com inteligência artificial”, disse.

“Ela pode ter tirado a própria vida”, afirma oficial

Ao comentar o laudo pericial que apontou marcas no pescoço da vítima, o militar levantou a hipótese de que a própria policial teria provocado as lesões antes de morrer.

“Eu não sei quem fez aquelas marcas. Eu garanto que não fui eu. Eu roo unhas, praticamente não tenho unha. Será que a própria Gisele não apertou o pescoço com a mão e depois tirou a própria vida para me incriminar?”, declarou.

Ele também afirmou que jamais teria coragem de matar a esposa.

“Eu nunca faria isso. Não atiraria nem em um bandido desarmado, quanto mais em alguém que eu amava”, disse.

Conversa sobre separação antes da morte

Segundo o relato do militar, pouco antes da morte ele voltou a falar com a esposa sobre a possibilidade de separação. Ele afirma que já havia tentado iniciar o processo de divórcio em três ocasiões.

“Eu falei que a gente precisava terminar o relacionamento. Marquei o divórcio três vezes, em setembro, outubro e novembro, mas ela não compareceu”, afirmou.

No dia do ocorrido, ele disse ter entrado no quarto para conversar novamente sobre o assunto.

“Entrei no quarto, dei bom dia e falei que talvez fosse melhor a gente se separar. Ela levantou da cama, me empurrou para fora e eu fui tomar banho”, relatou.

De acordo com o militar, enquanto estava no banheiro ouviu um barulho e saiu para verificar.

“Quando abri a porta, vi a Gisele caída no chão. Nem desliguei o chuveiro. Peguei o celular e deixei a porta do apartamento aberta para todo mundo ver o que estava acontecendo”, contou.

Relacionamento enfrentava dificuldades

Apesar de afirmar que o casamento era “maravilhoso”, o oficial reconheceu que o relacionamento passava por dificuldades e que o casal já não dividia o mesmo quarto havia meses.

“Nunca houve agressão. Havia discussões, principalmente por ciúmes, mas briga, no sentido de violência, nunca existiu”, declarou.

Ele também negou comportamento possessivo e afirmou que o relacionamento não era bem aceito pelos familiares da policial.

“Eles queriam que ela voltasse para o ex-companheiro. Toda vez que eu ia à casa da família dela, era hostilizado”, disse.

Caso segue sob investigação

A soldado foi socorrida ainda com vida após ser encontrada ferida no apartamento do casal, no dia 18 de fevereiro, em São Paulo. Ela foi levada ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, mas não resistiu.

Durante a investigação, foram apreendidos uma pistola Glock calibre .40, pertencente à Polícia Militar, celulares e outros objetos do casal. A Justiça paulista autorizou recentemente a exumação do corpo da policial para novos exames periciais.

O inquérito tramita sob sigilo e busca esclarecer se houve suicídio ou feminicídio.

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