“Lei Felca” entra em vigor no Brasil e impõe novas regras para proteger crianças e adolescentes na internet
Entrou em vigor nesta terça-feira (17) a Lei nº 15.211/2025, conhecida como Lei Felca ou Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. A nova legislação estabelece regras específicas para proteger menores de 18 anos no ambiente digital, ampliando para a internet as garantias previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, criado em 1990.
A norma determina novas obrigações para plataformas digitais, cria mecanismos de verificação de idade, amplia a supervisão de responsáveis e facilita a remoção de conteúdos considerados prejudiciais a crianças e adolescentes.
O projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional em agosto de 2025 e teve tramitação acelerada em meio ao debate público sobre a exposição de menores nas redes sociais. A vigência da lei também foi antecipada em seis meses.
O tema ganhou grande repercussão após denúncias feitas pelo influenciador Felca, que abordou em vídeos nas redes sociais casos de “adultização” de crianças e adolescentes na internet, mostrando situações em que menores eram expostos em conteúdos para gerar visualizações e lucro, muitas vezes incentivados por familiares.
Entre os casos citados nas denúncias estava o do criador de conteúdo Hytalo Santos, que posteriormente foi condenado em primeira instância a 11 anos de prisão por produção de conteúdo sexual envolvendo adolescentes.
Ampliação das regras de proteção no ambiente digital
A nova lei amplia o alcance das regras de proteção infantil para o ambiente digital e estabelece responsabilidades diretas para plataformas de redes sociais, aplicativos, jogos online e serviços digitais.
Segundo especialistas, a proposta não busca impedir o acesso de menores à internet, mas criar um ambiente mais seguro e supervisionado.
O que muda com a nova lei
Entre as principais mudanças da nova legislação estão:
Verificação de idade obrigatória
As plataformas digitais deverão implementar métodos confiáveis para confirmar a idade dos usuários, não sendo mais permitido apenas declarar a idade no cadastro.
Contas vinculadas a responsáveis
Perfis de menores de 16 anos deverão estar vinculados à conta de um responsável legal, que poderá monitorar atividades e tempo de uso.
Controle parental mais forte
As plataformas precisarão oferecer ferramentas claras para que responsáveis possam acompanhar:
- tempo de uso
- contatos
- conteúdos acessados
Combate a conteúdos prejudiciais
Os serviços online deverão adotar medidas para impedir conteúdos envolvendo:
- exploração sexual de menores
- cyberbullying
- incentivo à violência
- pornografia
- jogos de azar
- publicidade predatória
Também será obrigatório disponibilizar ferramentas simples para denúncias de violações.
Publicidade direcionada proibida
A nova lei proíbe que empresas utilizem perfilamento de dados para direcionar publicidade a crianças e adolescentes.
Fim das “loot boxes” em jogos
A legislação também proíbe loot boxes, caixas de recompensa pagas com itens aleatórios, comuns em jogos online voltados ao público jovem.
Fiscalização e punições
A fiscalização será feita pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados, que ganhou status de agência reguladora para aplicar a nova legislação.
As punições podem incluir:
- advertência com prazo de 30 dias para correção
- multa de até 10% do faturamento da empresa no Brasil
- multa de R$ 10 a R$ 1.000 por usuário, com limite de R$ 50 milhões
- suspensão ou bloqueio da atividade da plataforma no país (em casos extremos)
Jogos já começam a se adaptar
Algumas empresas do setor de games já anunciaram mudanças. A Riot Games informou que contas registradas por menores não poderão acessar determinados jogos até que o sistema se adapte às novas regras.
Entre os títulos afetados estão:
- League of Legends
- Teamfight Tactics
- Legends of Runeterra
Já Valorant continuará disponível para adolescentes, desde que haja autorização de um responsável legal.
Especialistas avaliam que a nova lei representa um avanço na proteção digital de crianças e adolescentes, mas destacam que o sucesso da norma dependerá da atuação conjunta de famílias, empresas e do Estado.
Outras notícias sobre tecnologia e comportamento você encontra no Ilhéus Eventos. Acesse www.ilheuseventos.com.br e siga a gente no Instagram @ilheuseventos.
Sorry, the comment form is closed at this time.