‘Em qualquer país sério, Alexandre de Moraes estaria afastado do cargo’, diz presidente da CPI do INSS

‘Em qualquer país sério, Alexandre de Moraes estaria afastado do cargo’, diz presidente da CPI do INSS

Em entrevista ao programa Roda Viva nesta segunda-feira (16), o senador Carlos Viana, presidente da CPI do INSS, defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes enquanto durarem as investigações relacionadas ao caso do Banco Master.

Segundo o parlamentar, em um cenário de investigação envolvendo um integrante do Judiciário, o afastamento temporário seria necessário para garantir imparcialidade. “Em qualquer país sério do mundo, o ministro Alexandre de Moraes estaria afastado do cargo até que a investigação terminasse”, afirmou.

A declaração foi feita após a revelação de mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela primeira vez em novembro de 2025. De acordo com Viana, um dos números com os quais Vorcaro teria trocado mensagens naquele dia seria um telefone funcional ligado ao Supremo Tribunal Federal.

Nas mensagens, o banqueiro mencionaria negociações para tentar evitar uma operação policial contra o Banco Master e teria perguntado “conseguiu bloquear?”, em possível referência à própria prisão.

Moraes negou que tenha recebido essas mensagens. O ministro, porém, não negou ter mantido outros diálogos com Vorcaro naquela mesma data.

Acesso a documentos foi suspenso

Viana afirmou que a CPI analisava os documentos para solicitar oficialmente ao STF esclarecimentos sobre quem utilizava o número naquele momento. No entanto, o processo foi interrompido após decisão do ministro André Mendonça, que proibiu o acesso da comissão aos dados obtidos a partir da quebra de sigilo de Vorcaro.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, a sala onde estavam armazenados os documentos foi lacrada por volta das 19h de segunda-feira (16), a pedido do próprio senador.

Apesar da restrição, Viana afirmou que considera a decisão de Mendonça “coerente” e disse que a CPI avalia como prosseguir com as investigações sem esses materiais.

Novos nomes aparecem em contatos do ex-banqueiro

Entre os dados recebidos pela comissão também aparecem contatos atribuídos a parlamentares, como o senador Flávio Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira.

O próprio Carlos Viana também aparece na agenda telefônica de Vorcaro, mas afirmou que nunca manteve contato direto com o ex-banqueiro.

“Se encontrasse com ele na rua, antes do escândalo, não teria a menor noção de quem era essa pessoa. As conversas que tive foram apenas com a defesa quando tentamos levá-lo à CPI”, declarou.

Expectativa de depoimentos na CPI

O senador afirmou que pretende convocar novamente Vorcaro para prestar depoimento e disse esperar que o ex-banqueiro firme um acordo de delação premiada para revelar os responsáveis pelas fraudes investigadas no caso do Banco Master.

Além disso, a CPI pretende ouvir o ex-presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, e o atual dirigente da instituição, Gabriel Galípolo.

Segundo Viana, a intenção é que ambos prestem depoimento juntos para evitar a politização do caso. “Os dois têm responsabilidade sobre o Banco Master”, afirmou.

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