Vereadores reclamam que secretários não respondem, mas têm comportamento igual

Vereadores reclamam que secretários não respondem, mas têm comportamento igual

A relação entre vereadores e secretários municipais já foi motivo de debates e reclamações em diferentes momentos da política ilheense. Parlamentares, inclusive integrantes da base governista, chegaram a manifestar insatisfação com a dificuldade de contato com integrantes do Executivo, alegando falta de retorno, demora em respostas e dificuldades para encaminhar demandas da população.

A crítica é legítima. Afinal, a comunicação entre os poderes é fundamental para o funcionamento da administração pública e para a resolução dos problemas da cidade.

No entanto, a situação também levanta uma reflexão que ultrapassa os corredores da Prefeitura e da Câmara Municipal.

A mesma reclamação feita por vereadores em relação a secretários é frequentemente repetida por lideranças comunitárias, representantes de entidades, profissionais de diferentes segmentos e pela própria população quando o assunto são os próprios parlamentares.

Não são poucos os relatos de cidadãos que afirmam ter dificuldade para conseguir falar diretamente com vereadores, obter retorno de mensagens ou receber respostas sobre solicitações apresentadas aos gabinetes. Em muitos casos, o contato acaba restrito a assessorias, equipes de apoio ou redes sociais, sem que haja uma interlocução efetiva com o representante eleito.

A percepção alimenta uma crítica recorrente na política: a de que muitos agentes públicos cobram dos outros exatamente aquilo que também deixam de oferecer.

O vereador tem como uma de suas principais atribuições representar a população, ouvir demandas, fiscalizar o Executivo e servir como ponte entre os cidadãos e o poder público. Por isso, a acessibilidade e o diálogo são características frequentemente cobradas pela sociedade.

Ao mesmo tempo em que exigem respostas dos secretários municipais, muitos parlamentares também são cobrados por uma postura mais próxima e acessível junto à população.

O debate não se limita a nomes ou mandatos específicos. Trata-se de uma discussão sobre comportamento político, comunicação institucional e representatividade.

Em uma era marcada pelas redes sociais, pela comunicação instantânea e pela cobrança permanente da opinião pública, cresce a expectativa de que vereadores, secretários e demais agentes públicos mantenham canais abertos de diálogo e estejam disponíveis para ouvir a população.

No fim das contas, a crítica feita aos secretários acaba levantando uma pergunta que vale para todos os lados da política: quem cobra acesso também está oferecendo acesso?

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