Bahia se aproxima de PIB de meio trilhão com obras que já produzem riqueza antes de serem concluídas

Bahia se aproxima de PIB de meio trilhão com obras que já produzem riqueza antes de serem concluídas

A Bahia está em obras. Não em uma frente isolada, mas em várias ao mesmo tempo. Há escolas sendo erguidas, hospitais em ampliação, estradas abertas, o metrô avançando para o Campo Grande, o VLT redesenhando o transporte do Subúrbio, a Ponte Salvador-Itaparica mobilizando uma das maiores intervenções de infraestrutura do estado, a BYD transformando a antiga área da Ford em Camaçari e projetos federais em ferrovias, portos, saneamento, energia e habitação. Essa simultaneidade ajuda a explicar por que a economia baiana se aproxima da marca de meio trilhão de reais. Estimativa do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, do Banco do Nordeste, aponta que o PIB da Bahia pode ter alcançado R$ 495 bilhões em 2025, com alta nominal de 7,96% sobre 2024. O dado ainda não é oficial e será consolidado pelo IBGE apenas em 2027.

O número é uma fotografia. A história está nos canteiros. Uma escola começa a produzir PIB antes de ensinar: compra cimento, aço, vidro, cabos, computadores e equipamentos, contrata engenheiros, operários, transportadoras e fornecedores. Um hospital ampliado mobiliza tecnologia, mobiliário, medicamentos e serviços antes de receber pacientes. O mesmo acontece com rodovias, trilhos, linhas de transmissão, parques eólicos, fábricas e grandes obras de mobilidade. A riqueza começa a circular muito antes da entrega.

É justamente aí que os investimentos deixam de ser uma coleção de obras e passam a formar uma cadeia econômica. A Secretaria da Educação contabiliza R$ 9,2 bilhões entre 2023 e 2025, com 244 novas escolas, 146 ampliações e 155 modernizações. A Seinfra reúne uma carteira de R$ 7,2 bilhões em obras rodoviárias, mais de 8 mil quilômetros de intervenções e 1,8 mil quilômetros de novas rodovias asfaltadas no período. Na saúde, a Sesab anunciou R$ 168,9 milhões em investimentos estaduais em Salvador, enquanto o Novo PAC incorporou novas unidades básicas, maternidades, policlínicas, Caps, centros de parto e serviços de reabilitação em diferentes regiões da Bahia.

Os efeitos desses projetos se cruzam. A estrada reduz custos para a produção agrícola e fortalece o turismo. Hospitais e escolas mantêm contratos permanentes de alimentação, limpeza, vigilância e tecnologia. O metrô que avança para o Campo Grande e o VLT, com 43,71 quilômetros e 50 paradas, movimentam a construção civil antes de reduzir o tempo de deslocamento da população. A Ponte Salvador-Itaparica, projetada para beneficiar 250 municípios e gerar cerca de 7 mil empregos durante a execução, já demanda engenharia, concreto, aço, embarcações, alimentação, hospedagem e serviços especializados.

Esse movimento alcança diferentes regiões e setores ao mesmo tempo. O Oeste amplia a produção de soja, milho, algodão e café; Camaçari volta ao centro da estratégia industrial com o investimento de cerca de R$ 5,5 bilhões da BYD na antiga área da Ford; Salvador concentra grandes projetos de mobilidade, saúde e educação; e o semiárido consolida sua liderança nacional na geração eólica enquanto amplia a produção de energia solar. A expansão da infraestrutura elétrica acompanha esse ciclo: a Neoenergia Coelba anunciou R$ 25 bilhões até 2030 para ampliar e modernizar a rede no estado.

O investimento público ajuda a sustentar essa dinâmica. Dados da Sefaz, com base no Siconfi/Tesouro Nacional, mostram que a Bahia liquidou R$ 4,12 bilhões em investimentos entre janeiro e agosto de 2025, acima dos R$ 3,66 bilhões de São Paulo. Desse total, R$ 2,27 bilhões foram destinados à infraestrutura e R$ 1,36 bilhão à área social. Desde 2023, o Estado acumula R$ 20,2 bilhões em investimentos, enquanto dados do Banco Central utilizados pelo Banco do Nordeste apontam expansão do crédito para famílias e empresas, reforçando o consumo, o investimento produtivo e a atividade econômica.

Enquanto o IBGE prepara a consolidação das contas de 2025, a carteira de investimentos permanece em expansão. Além das obras estaduais em andamento, o Novo PAC prevê R$ 119,4 bilhões para a Bahia, dos quais R$ 65,6 bilhões estavam programados até 2026. Até abril de 2025, R$ 32,7 bilhões já haviam sido executados em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, saneamento, habitação, saúde, educação, segurança hídrica, energia e mobilidade.

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