Pesque e solte ganha espaço no Campeonato Baiano com apoio da UESC

Pesque e solte ganha espaço no Campeonato Baiano com apoio da UESC

A pesca esportiva ganhou uma nova experiência no Campeonato Baiano de Pesca de Praia (Surfcasting) em 2026. Pela primeira vez, a modalidade pesque e solte passou a fazer parte da maior parte das etapas da competição, aproximando atletas, pesquisadores e estudantes em uma iniciativa voltada à conservação marinha.

Das seis etapas realizadas nesta temporada, quatro adotaram o sistema de pesque e solte, com provas em Santa Cruz Cabrália, Ilhéus e Canavieiras, onde aconteceu a final. Nesse formato, os exemplares capturados são medidos e registrados ainda na faixa de areia e, em seguida, devolvidos ao mar.

A mudança foi possível a partir de uma parceria entre a Federação Baiana de Pesca e Atividades Subaquáticas (FBPAS) e o Programa de Pós-Graduação em Zoologia da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

Estudantes participaram da fiscalização

Como parte da iniciativa, 15 estudantes de graduação, mestrado e doutorado da UESC receberam capacitação para atuar durante as provas. Eles participaram da identificação das espécies, realização de medidas e aplicação dos procedimentos de manejo dos animais.

Além de acompanhar a competição, os estudantes tiveram contato direto com pescadores experientes, criando uma troca de conhecimentos entre a pesquisa acadêmica e a prática desenvolvida no mar.

A experiência também permitiu aos pesquisadores observar de perto espécies que, em muitos casos, eram conhecidas principalmente por meio de estudos e coleções científicas.

A doutoranda Vivian Ferraz Gonçalves relatou que o contato com os animais vivos trouxe uma experiência diferente da rotina acadêmica. Já a também doutoranda Camila Alves de Carvalho Melo destacou a preocupação demonstrada pelos participantes com a preservação das praias e dos estoques pesqueiros.

Para o professor Mirco Solé Kienle, do Programa de Pós-Graduação em Zoologia da UESC, a experiência mostrou que pesquisadores e pescadores podem atuar de forma colaborativa.

Segundo ele, enquanto os pescadores contribuíram com conhecimentos práticos sobre as espécies e o ambiente marinho, os estudantes compartilharam informações relacionadas à biologia, identificação e manejo dos animais.

Competição também inspira novas tecnologias

A etapa final, realizada sob chuva intensa, trouxe outro desafio: registrar as informações dos peixes durante a prova.

A situação levou o doutorando da UESC Julián Barillaro a pensar em uma possível ferramenta tecnológica para facilitar o trabalho. A proposta seria desenvolver um aplicativo capaz de identificar a espécie, registrar medidas biométricas e enviar os dados automaticamente para a organização da competição.

A ideia aproveitaria conhecimentos já desenvolvidos na universidade, incluindo pesquisas com inteligência artificial.

Ilhéus conquista título por equipes

Ao longo das seis etapas, o Campeonato Baiano contou com 123 atletas, distribuídos nas categorias feminino, juvenil, masculino, máster e sênior.

A competição também definiu a equipe que representará a Bahia no Campeonato Brasileiro de Pesca de Praia, marcado para outubro, no Ceará.

O Clube do Barquinho, de Ilhéus, terminou a temporada como campeão por equipes.

A parceria entre a UESC e a FBPAS deve continuar, com previsão de novos projetos envolvendo pesquisa científica, formação de profissionais e desenvolvimento de tecnologias aplicadas à pesca esportiva.

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