Rússia bane último partido contrário à guerra da eleição parlamentar
A Suprema Corte da Rússia decidiu nesta segunda-feira (10) retirar o Iabloko, partido de oposição que defende o fim da guerra na Ucrânia, da disputa pelas eleições parlamentares marcadas para 20 de setembro.
A decisão atende a uma ação apresentada pelo partido nacionalista Rodina, que acusou candidatos do Iabloko de serem “traidores” e de receberem financiamento estrangeiro. O presidente da legenda, Nikolai Ribakov, negou as acusações e afirmou que pretende recorrer da decisão dentro do prazo estabelecido pela Justiça.
Fundado em 1993, o Iabloko era considerado o principal partido russo com uma posição abertamente contrária à guerra iniciada pela Rússia contra a Ucrânia em 2022. A legenda havia recebido autorização da Comissão Eleitoral Central para apresentar 404 candidatos à Duma, a Câmara baixa do Parlamento russo.
Partido tinha pouca representação
Apesar de sua posição política, o Iabloko enfrentava dificuldades para conquistar espaço no Parlamento. A legenda não elege deputados federais desde 2007 e atualmente possui apenas cinco representantes entre os 3.928 parlamentares dos Legislativos regionais russos.
O maior partido da Duma é o Rússia Unida, ligado ao presidente Vladimir Putin, que possui 315 dos 450 assentos da Câmara.
O Partido Comunista, que também se apresenta como oposição, mantém uma postura favorável à guerra e frequentemente apoia propostas do governo.
Protesto reúne centenas de pessoas
A decisão contra o Iabloko provocou um protesto em frente à Suprema Corte. Mais de 500 jovens, segundo relatos citados na matéria, compareceram ao local segurando maçãs, símbolo do partido.
Os manifestantes gritaram palavras de ordem contra a decisão e foram dispersados pela polícia. Segundo uma testemunha ouvida pelo site RusMedia, alguns participantes teriam sido ameaçados com a possibilidade de alistamento forçado caso permanecessem no local.
A retirada do Iabloko da eleição ocorre em um cenário de crescente restrição à oposição política na Rússia. Desde os anos anteriores à guerra, o governo ampliou leis relacionadas ao financiamento estrangeiro e à atuação de organizações e opositores.
Após o início do conflito na Ucrânia, críticas às Forças Armadas russas passaram a estar sujeitas a punições severas, enquanto organizações, jornalistas e grupos políticos considerados contrários ao governo enfrentaram novas restrições.
Oposição russa sob pressão
O endurecimento das regras também atingiu movimentos ligados ao opositor Alexei Navalny, que ganhou projeção nacional ao organizar campanhas contra a corrupção e apoiar candidatos independentes em eleições regionais.
Navalny foi preso após retornar à Rússia em 2021, depois de receber tratamento médico no exterior. Ele morreu em uma prisão no Ártico em fevereiro de 2024, aos 47 anos. As circunstâncias da morte foram contestadas por seus aliados e autoridades russas negaram acusações de responsabilidade.
Com o banimento do Iabloko, a eleição parlamentar de setembro ocorrerá com uma das principais legendas russas de oposição à guerra fora da disputa. A decisão ainda poderá ser contestada judicialmente pelo partido.

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