Hospitais passam a divulgar indicadores de mortalidade e infecção para pacientes compararem antes da internação
A partir desta quarta-feira (19), 52 hospitais privados de excelência do país passam a divulgar publicamente dez indicadores de qualidade e segurança assistencial. A iniciativa permite que pacientes e familiares consultem informações como taxas de mortalidade, infecção hospitalar e reinternação antes de escolher onde buscar atendimento.
Os dados estarão disponíveis no site da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), que reúne cerca de 200 instituições. Entre os hospitais que aderiram voluntariamente ao programa estão Einstein, Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, A.C.Camargo, unidades da Rede D’Or e Santas Casas de Porto Alegre e Maceió.
Juntos, os 52 hospitais participantes representam 14.971 leitos. A proposta é ampliar a transparência no setor e oferecer informações objetivas que possam auxiliar pacientes na tomada de decisões sobre o atendimento.
Dez indicadores serão divulgados
O sistema da Anahp já acompanha há cerca de 20 anos mais de 200 indicadores relacionados ao funcionamento e à assistência hospitalar. Para tornar os dados acessíveis ao público, foram selecionados dez indicadores considerados mais relevantes para avaliar os resultados entregues aos pacientes.
São eles:
- mortalidade institucional;
- infecção hospitalar;
- quedas de pacientes;
- lesões por pressão;
- tempo porta-balão em casos de infarto;
- letalidade por sepse;
- reinternação em até 30 dias;
- taxa de cesáreas;
- tempo médio de internação;
- infecção em sítio cirúrgico.
Os resultados serão atualizados mensalmente, conforme o envio das informações por cada instituição.
Dados seguem metodologia padronizada
Segundo a Anahp, a divulgação só foi possível após um processo de padronização dos indicadores. A medida busca garantir que os hospitais utilizem os mesmos critérios para registrar e calcular os resultados.
Um dos exemplos citados pela entidade é a taxa de ocupação de unidades de terapia intensiva (UTIs). Antes da padronização, diferentes hospitais realizavam a medição em horários distintos, o que dificultava a comparação dos números.
Além disso, a associação passou a utilizar auditoria externa independente. De acordo com a entidade, 20 hospitais já foram submetidos a esse processo, realizado atualmente pela QGA.
Iniciativa não terá ranking
A Anahp afirma que os dados não serão utilizados para criar um ranking ou atribuir notas aos hospitais.
A justificativa é que instituições possuem perfis diferentes e atendem públicos com necessidades distintas. Um hospital especializado em oncologia, por exemplo, pode apresentar tempo médio de internação superior ao de uma unidade voltada principalmente para procedimentos oftalmológicos.
A proposta é disponibilizar os números para que pacientes tenham mais informações e possam, inclusive, conversar com seus médicos sobre os indicadores apresentados pela instituição escolhida.
Programa ainda reúne uma parcela dos hospitais brasileiros
Apesar da adesão de 52 instituições, o número representa uma parcela pequena do sistema hospitalar brasileiro. O país possui milhares de hospitais públicos, filantrópicos e privados.
A Anahp afirma que o sistema continuará aberto a novas adesões. A entidade também informa que existem discussões para ampliar a participação de Santas Casas e hospitais públicos, incluindo iniciativas em parceria com instituições estaduais e com o Ministério da Saúde.
A associação pretende ampliar gradualmente a quantidade de indicadores disponíveis ao público, mas não prevê tornar públicos todos os mais de 200 indicadores atualmente coletados, por considerar que parte deles tem pouca utilidade direta para os pacientes.
Custos ainda ficam de fora
Um dos desafios apontados pela entidade é a divulgação de informações financeiras e de custos hospitalares. Segundo a Anahp, diferenças na forma como as redes organizam seus dados dificultam a criação de uma metodologia única para comparação.
Atualmente, algumas instituições registram informações financeiras individualmente por hospital, enquanto outras consolidam os números de diferentes unidades em um mesmo grupo.
A iniciativa ocorre em um cenário de cobrança por maior transparência na área da saúde, diante da dificuldade dos pacientes em encontrar informações padronizadas sobre a qualidade e a segurança dos serviços hospitalares.

Sorry, the comment form is closed at this time.