Defesa de Lulinha pede investigação da PF sobre vazamento de dados sigilosos
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, pediu à Polícia Federal (PF) que investigue a possível ocorrência de vazamento e também a autenticidade de documentos que estariam sob segredo de Justiça. O material citado pelos advogados está relacionado às operações Sem Desconto e Compliance Zero.
A representação foi apresentada pelos advogados Reinaldo Santos de Almeida e Marco Aurélio de Carvalho, integrantes do grupo Prerrogativas. Além de apurar a origem dos documentos, a defesa quer identificar por onde o conteúdo teria circulado entre a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a CPMI do INSS.
Os advogados pedem que sejam levantados registros eletrônicos e informações sobre servidores, assessores e demais pessoas que tiveram acesso ao material. Também solicitam a análise dos logs de acesso aos processos, dos documentos relacionados à apreensão e extração de aparelhos celulares e dos códigos de integridade das cópias digitais.
A defesa cita nos documentos os nomes do senador Rogério Marinho (PL-RN), do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo os advogados, os políticos são mencionados em razão de suas funções ou do acesso institucional ao material da comissão. A representação, porém, não acusa os três de participação no vazamento nem apresenta isso como prova de envolvimento.
Outro ponto questionado é a divulgação, em 17 de agosto, de trechos de conversas retiradas do celular da lobista Roberta Luchsinger. As mensagens envolvem Lulinha e Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola.
De acordo com os advogados, esse conteúdo fazia parte de relatórios encaminhados pela PF ao STF e estaria submetido a sigilo judicial. Por isso, a defesa quer esclarecer como as informações chegaram ao público e se houve violação das regras de confidencialidade.
Além da apuração sobre uma possível quebra de sigilo, os advogados solicitaram que o caso seja encaminhado ao procurador-geral eleitoral. A intenção é avaliar se a divulgação das informações pode ter configurado eventual abuso de poder político ou uso indevido dos meios de comunicação.
A defesa também sustenta que a divulgação antecipada de informações protegidas por sigilo poderia, em tese, ser analisada sob a perspectiva de propaganda eleitoral negativa antecipada.
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