Jovens procuram ajuda para enfrentar dependência em jogos e apostas

Jovens procuram ajuda para enfrentar dependência em jogos e apostas

O aumento das bets e dos jogos acessíveis pelo celular tem levado cada vez mais jovens a procurar ajuda para controlar o comportamento compulsivo. Integrantes do grupo Jogadores Anônimos relatam que adolescentes a partir dos 14 anos já buscam apoio.

Um dos casos é o de Gustavo Pereira, de 24 anos, que começou a apostar aos 18. Durante seis anos, ele afirma ter perdido cerca de R$ 500 mil. O jovem conta que chegou a transformar R$ 10 mil em centenas de milhares de reais, mas perdeu os valores posteriormente.

Há cerca de dois meses sem jogar, Gustavo atualmente vende café nas ruas de Lages (SC) e compartilha nas redes sociais sua experiência para ajudar outras pessoas a evitar recaídas. Segundo ele, o período de compulsão também foi marcado por depressão e síndrome do pânico.

Jovens estão entre os mais expostos

Dados do Unicef apontam que muitas pessoas têm o primeiro contato com jogos online ainda na infância ou adolescência. Uma pesquisa realizada no Brasil com 1.912 estudantes dos ensinos fundamental e médio identificou que 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos. Entre alunos do terceiro ano do ensino médio, quase metade relatou já ter apostado.

Para a psicóloga Mariana Kehl, da Sociedade Brasileira de Psicologia, adolescentes são mais vulneráveis aos estímulos relacionados aos jogos porque as áreas do cérebro responsáveis pelo controle de impulsos e avaliação de riscos ainda estão em desenvolvimento.

Dependência e endividamento

Luiz Carlos, de 71 anos, integrante do Jogadores Anônimos, afirma estar há 15 anos sem jogar. Ele começou a enfrentar problemas com o jogo na década de 1980, quando frequentava locais com máquinas de videopôquer.

Segundo ele, a principal mudança atualmente é a facilidade de acesso. “Você carrega um cassino dentro do seu bolso”, afirmou.

Outros integrantes do grupo também relatam consequências financeiras. Rogério conta que a atividade começou comprometendo seu orçamento e dificultando o pagamento de contas.

Relatório do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) apontou que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em bets em 2024, com quase metade deles enfrentando algum nível de endividamento.

O diretor do instituto, Tiago Braga, ressalta que os valores destinados aos jogos deixam de ser utilizados em despesas como aluguel, alimentação, educação e vestuário. Ele também cita casos de sofrimento psicológico associados ao endividamento provocado pela compulsão.

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