Flávio planeja reforma no Itamaraty inspirada nos EUA
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) planeja promover uma ampla reestruturação do Itamaraty caso seja eleito presidente. A proposta, apresentada em reuniões reservadas por Marcos Degaut, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro na área de política externa, tem como referência o modelo adotado pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
O plano prevê mudanças nas carreiras diplomáticas, com profissionais direcionados a regiões e temas específicos e submetidos a metas relacionadas a exportações, investimentos e inserção comercial. O sistema de promoções também seria reformulado, reduzindo o peso da senioridade e considerando o desempenho individual.
Outra proposta é concentrar a atuação diplomática em cerca de 35 países considerados estratégicos, o chamado “G35”, que incluiria nações do G20. A ideia é concentrar recursos e pessoal em determinados postos, em vez de distribuí-los por uma grande quantidade de embaixadas.
Segundo relatos de pessoas que participaram das reuniões, Degaut defende maior aproximação com os Estados Unidos, especialmente em acordos comerciais e minerais críticos, mas afirma que o Brasil deve manter os vínculos econômicos com a China e reduzir gradualmente a dependência do país asiático nas exportações de commodities.
A proposta também prevê uma política externa voltada para o chamado “Ocidente político”, com atenção a países do G20, Israel e nações latino-americanas governadas pela direita. Degaut cita os Emirados Árabes Unidos como referência e defende o chamado “realismo propositivo”.
O modelo de Rubio nos Estados Unidos envolveu cortes de vagas, fechamento de departamentos e postos e estabelecimento de metas para funcionários. Também houve aumento da participação de indicados políticos em cargos diplomáticos americanos.
Degaut afirmou, segundo os relatos, que pessoas de fora do Itamaraty poderiam assumir algumas funções, mas que não haveria uma perseguição política aos diplomatas. Nas promoções, a avaliação de desempenho teria peso maior que a antiguidade.
A proposta surge em meio a críticas internas sobre a lentidão nas promoções e a falta de perspectivas de ascensão na carreira diplomática. O Itamaraty informou que foram realizadas 615 promoções durante os quatro anos do governo Bolsonaro e 622 nos quatro anos do atual mandato de Lula.
Marcos Degaut foi secretário Especial de Assuntos Estratégicos no governo Michel Temer e secretário de Produtos de Defesa durante o governo Jair Bolsonaro. Também chegou a ser indicado para a Embaixada do Brasil nos Emirados Árabes, mas não assumiu o posto.
A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que Degaut e Eduardo Bolsonaro não falam em nome do candidato e que não irá se posicionar sobre planos específicos para a política externa.
Entre os nomes discutidos para comandar o Itamaraty em um eventual governo Flávio estão Roberto Azevedo, ex-diretor-geral da OMC, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco do Brics. Degaut também poderia ocupar uma função no Ministério da Defesa ou no próprio Itamaraty.
Propostas de política externa
Entre as propostas apresentadas pela campanha de Flávio estão a ampliação da abertura comercial, a redução da dependência em cadeias estratégicas de tecnologia e suprimentos, a retomada do cronograma de adesão à OCDE e a criação de um plano de integração às cadeias globais de valor.
O programa também prevê priorizar áreas como agroindústria, minerais críticos, saúde e economia digital, além de buscar investimentos estrangeiros em transição energética e ampliar o uso de tecnologias como drones e inteligência artificial.
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