Pancadinha perde quase 40% dos votos e fica fora da Assembleia Legislativa da Bahia

Pancadinha perde quase 40% dos votos e fica fora da Assembleia Legislativa da Bahia

O deputado estadual Fabrício Pancadinha (PDT) não conseguiu renovar seu mandato na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) nas eleições deste domingo (4). Com 16.875 votos, o parlamentar ficou fora da relação dos 63 deputados estaduais eleitos para a próxima legislatura.

O resultado representa uma queda significativa em comparação com a eleição de 2022, quando Pancadinha conquistou 27.338 votos e garantiu seu primeiro mandato na Assembleia. Em quatro anos, foram 10.463 votos a menos, uma redução de aproximadamente 38% em sua votação estadual.

A maior força eleitoral de Pancadinha sempre esteve concentrada em Itabuna. Em 2022, dos 27.338 votos recebidos em toda a Bahia, 23.531 vieram somente do município, o equivalente a 86% de toda a sua votação. Dois anos depois, na disputa pela Prefeitura de Itabuna, ampliou numericamente seu eleitorado e chegou a 29.620 votos, mas terminou em segundo lugar, sendo derrotado por Augusto Castro, reeleito com 65.329 votos.

A trajetória entre aquela eleição municipal e a disputa deste ano, porém, foi marcada por uma profunda reorganização política.

Depois da derrota de 2024, Pancadinha enfrentou a saída de integrantes e apoiadores de seu grupo e dificuldades para preservar a estrutura política que havia construído. Ao longo de 2026, lideranças locais e antigos aliados migraram para outros projetos, inclusive para o grupo comandado pelo prefeito Augusto Castro.

O próprio Ilhéus Eventos já havia apontado, em junho, que a candidatura à reeleição chegava ao pleito cercada por um cenário de desgaste, perda de aliados e dificuldades de articulação regional.

Pancadinha também mudou sua posição no tabuleiro estadual. Eleito pelo Solidariedade em 2022, aproximou-se de ACM Neto e recebeu o apoio do grupo do ex-prefeito de Salvador na disputa pela Prefeitura de Itabuna em 2024. Posteriormente, rompeu politicamente com Neto, aproximou-se da base do governador Jerônimo Rodrigues e, em abril deste ano, deixou o Solidariedade para ingressar no PDT.

A movimentação não foi suficiente para recuperar nas urnas a votação que havia garantido sua chegada à Assembleia quatro anos antes.

O contraste ficou ainda mais evidente com o resultado de Andréa Castro (PSD). A primeira-dama de Itabuna estreou em uma eleição estadual com mais de 86 mil votos e conquistou uma cadeira na Alba, enquanto Pancadinha, que iniciou a eleição como deputado em exercício e uma das principais lideranças da oposição municipal, não conseguiu renovar o mandato.

A derrota não significa necessariamente o desaparecimento de Pancadinha do cenário político de Itabuna. Sua trajetória foi construída rapidamente: saiu de 1.574 votos para vereador em 2020, chegou aos 27 mil votos para deputado em 2022 e aos quase 30 mil na disputa pela Prefeitura em 2024.

As urnas de 2026, entretanto, apresentam uma fotografia diferente daquela observada quatro anos atrás. Pancadinha perdeu votação, aliados e espaço político, enquanto o grupo liderado por Augusto Castro ampliou sua força e conseguiu transformar esse crescimento na eleição de uma representante diretamente ligada ao prefeito para a Assembleia Legislativa.

Sem mandato a partir de 2027, o próximo movimento de Pancadinha passa a ser uma das questões da política itabunense. Depois de chegar à eleição de 2024 como principal adversário de Augusto Castro, o deputado terá agora pouco menos de dois anos para reorganizar seu grupo e definir qual papel pretende desempenhar no caminho para as eleições municipais de 2028.

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