Adélia lidera votação em Ilhéus, mas fica longe dos 90 mil projetados e não consegue vaga na Câmara Federal

Adélia lidera votação em Ilhéus, mas fica longe dos 90 mil projetados e não consegue vaga na Câmara Federal

A ex-candidata à Prefeitura de Ilhéus Adélia Pinheiro (PT) não conseguiu uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições deste domingo (4). Com 36.175 votos em toda a Bahia, Adélia terminou fora das 39 cadeiras destinadas ao estado, apesar de ter alcançado a primeira colocação na votação para deputado federal dentro de Ilhéus.

No município, Adélia recebeu 19.977 votos, mais que o dobro dos 9.046 votos de Leur Lomanto Júnior, segundo colocado na cidade. Bebeto apareceu em seguida, com 6.857 votos.

O resultado permite leituras distintas sobre o desempenho da petista. Por um lado, a votação em Ilhéus confirma a existência de uma base eleitoral significativa no município, dois anos depois de Adélia receber 38.928 votos na disputa pela Prefeitura e terminar apenas 2.639 votos atrás do prefeito eleito Valderico Júnior.

Por outro, a votação estadual ficou muito distante da expectativa apresentada pela própria candidata durante a campanha.

Apenas quatro dias antes da eleição, em entrevista ao programa O Tabuleiro, Adélia afirmou que trabalhava para conquistar mais de 90 mil votos. Na ocasião, disse considerar esse patamar necessário para entrar na disputa pelas vagas da federação e chegou a mencionar uma projeção próxima dos 100 mil votos para as últimas cadeiras.

Nas urnas, os 36.175 votos representaram aproximadamente 40% da meta de 90 mil votos mencionada pela própria candidata. A diferença entre a projeção e o resultado final foi superior a 53 mil votos.

O desempenho também revela uma característica importante da candidatura. Dos pouco mais de 36 mil votos conquistados em toda a Bahia, 19.977 vieram somente de Ilhéus. Isso significa que aproximadamente 55% de toda a votação de Adélia ficou concentrada no município, apesar de a candidata ter afirmado durante a campanha que possuía atuação em dezenas de cidades do Litoral Sul e da região cacaueira.

Adélia entrou na disputa com apoio direto de importantes nomes do PT baiano. Ex-secretária estadual e ex-reitora da UESC, ela contou durante a campanha com manifestações de apoio do governador Jerônimo Rodrigues, além de integrar o mesmo campo político de Rui Costa e Jaques Wagner.

A eleição deste domingo, portanto, deixa um cenário político curioso para os próximos anos. Adélia não conseguiu transformar sua votação em Ilhéus em uma candidatura suficientemente regionalizada para chegar a Brasília, mas permaneceu como a candidata a deputado federal mais votada pelos ilheenses.

E é justamente esse resultado que deve alimentar a disputa de narrativas a partir de agora.

De um lado, o grupo de Adélia poderá destacar os quase 20 mil votos obtidos dentro de Ilhéus como demonstração de que ela permanece competitiva na política municipal. Do outro, seus adversários terão como argumento a distância entre os mais de 90 mil votos projetados durante a campanha e os 36.175 efetivamente conquistados, além da dificuldade demonstrada para ampliar sua votação fora de sua principal base eleitoral.

O próximo capítulo naturalmente passa por 2028.

Durante a campanha deste ano, Adélia chegou a ser questionada publicamente sobre a possibilidade de sua candidatura à Câmara Federal servir como preparação para uma nova disputa pela Prefeitura de Ilhéus. Ela negou essa interpretação e afirmou naquele momento que seu projeto era exclusivamente a eleição para deputada federal.

O cenário, porém, mudou depois das urnas. Sem mandato em Brasília, mas ainda com uma votação relevante dentro de Ilhéus, Adélia permanece como um dos nomes que deverão participar das articulações políticas dos próximos dois anos.

Há ainda um componente importante: Jerônimo Rodrigues foi reeleito governador da Bahia, mantendo o grupo político ao qual Adélia pertence no comando do Estado. A forma como ela ocupará espaço nessa estrutura, sua relação com o governo estadual e, principalmente, sua capacidade de preservar ou ampliar os quase 20 mil votos demonstrados neste domingo serão elementos importantes para medir seu peso político até 2028.

Por enquanto, as urnas deixaram duas mensagens simultâneas: Adélia demonstrou força eleitoral dentro de Ilhéus, mas não conseguiu levar essa força para o restante da Bahia na dimensão que sua própria campanha projetava.

No Comments

Sorry, the comment form is closed at this time.