Neutralidade presidencial de ACM Neto entra no debate após nova derrota para Jerônimo na Bahia
A segunda derrota consecutiva de ACM Neto (União Brasil) para Jerônimo Rodrigues (PT) abre espaço para uma discussão que acompanhou sua campanha durante boa parte da eleição: a decisão de não vincular diretamente sua candidatura ao bolsonarismo ajudou ou prejudicou o ex-prefeito de Salvador?
Durante a campanha, ACM Neto evitou declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e procurou concentrar a disputa no cenário baiano. A estratégia também considerava uma característica conhecida do eleitorado do estado: a força histórica do PT e de Lula na Bahia.
O movimento, entretanto, não foi correspondido pelo candidato presidencial do PL. Nos últimos dias da campanha, Flávio Bolsonaro gravou vídeos pedindo votos para ACM Neto, além de apoiar seus aliados na disputa pelo Senado e para outros cargos.
Com Flávio terminando o primeiro turno presidencial à frente de Lula nacionalmente, surge agora o questionamento sobre até que ponto uma aproximação mais explícita poderia ter ajudado Neto a mobilizar ainda mais o eleitorado de direita na Bahia.
A resposta está longe de ser simples.
Parte significativa do eleitorado identificado com a direita já tinha ACM Neto como alternativa natural contra Jerônimo. Nesse sentido, declarar apoio formal a Flávio poderia produzir pouco ganho adicional entre eleitores que já estavam inclinados a votar contra o PT.
Por outro lado, uma aliança explícita poderia ter aumentado a mobilização do eleitorado bolsonarista e reduzido espaços ocupados por outras candidaturas e lideranças de direita. O problema é que essa mesma estratégia também poderia afastar eleitores de centro ou eleitores lulistas que, em uma disputa estadual, estivessem dispostos a votar em Neto.
Foi justamente esse equilíbrio que marcou sua estratégia: tentar enfrentar o PT na Bahia sem transformar a eleição estadual em uma extensão direta da polarização Lula versus Bolsonaro.
Agora, derrotado por Jerônimo, o próprio ACM Neto terá de tomar uma decisão sobre essa relação. Em sua manifestação após o resultado das urnas, ele afirmou que pretende ir a Brasília para conversar com a direção nacional do União Brasil e discutir o posicionamento do partido no segundo turno presidencial.
A discussão ganhou ainda mais peso porque a federação formada por União Brasil e PP sinaliza uma aproximação com Flávio Bolsonaro para o confronto contra Lula em 25 de outubro.
Caso ACM Neto entre efetivamente na campanha de Flávio no segundo turno, será também a primeira oportunidade de observar de maneira mais clara como essa aproximação será recebida por seu eleitorado na Bahia.
A derrota estadual não permite concluir que a ausência de um apoio presidencial explícito tenha sido determinante. Mas coloca novamente no centro do debate uma escolha estratégica que ACM Neto fez durante toda a campanha: tentar derrotar o PT na Bahia sem assumir integralmente um dos lados da polarização nacional.

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