Dívidas de clubes brasileiros chegam a R$ 19,99 bilhões; 25 equipes têm atrasos
O futebol brasileiro enfrenta um cenário de alerta financeiro. Um levantamento da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) aponta que 25 dos 40 clubes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro de 2026 declararam compromissos financeiros em atraso. Somadas, as dívidas das equipes alcançaram R$ 19,99 bilhões, conforme os balanços referentes ao encerramento de 2025.
Os dados sobre pagamentos pendentes foram informados pelos próprios clubes em julho deste ano e consideram três áreas: salários de jogadores e funcionários, valores devidos pela contratação de atletas e obrigações tributárias.
Na Série A, 13 dos 20 participantes relataram pelo menos um tipo de atraso. O levantamento também identificou dez equipes da primeira divisão em recuperação judicial ou submetidas a planos de pagamento de credores, sendo que quatro se enquadram nas duas situações.
Corinthians, Atlético-MG e Vitória estão entre os clubes com mais pendências
Entre as equipes da elite nacional, Atlético-MG, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional e Vitória declararam atrasos nas três categorias analisadas: salários, transferências e impostos.
O Botafogo também informou pendências salariais e tributárias, enquanto os compromissos ligados a transferências estão incluídos em um plano de pagamento. O clube ainda aparece em recuperação judicial e com plano de credores.
O Santos declarou atrasos em salários e tributos, além de valores de transferências submetidos a um plano de pagamento. Já o São Paulo relatou pendências salariais e com contratações de jogadores, sem declarar atrasos tributários.
Outras equipes apresentam situações específicas. O Athletico-PR informou pendências relacionadas a transferências, enquanto o Remo declarou atraso apenas em impostos. Coritiba e Vasco possuem obrigações tributárias vencidas, mas mantêm salários e transferências vinculados a planos de pagamento. No Cruzeiro, salários e transferências estão contemplados em acordos, sem atrasos tributários declarados.
Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino não informaram pendências nas três categorias avaliadas.
Série B também concentra problemas financeiros
Na segunda divisão, 12 dos 20 clubes declararam pelo menos um compromisso em atraso. América-MG, Avaí, Ceará, CRB, Cuiabá, Náutico, Ponte Preta, Sport e Vila Nova estão entre as equipes que relataram pendências nas três categorias analisadas.
Outros times apresentam débitos mais específicos. O Atlético-GO declarou atrasos em salários e impostos, enquanto o Criciúma informou pendências salariais. Fortaleza relatou atrasos em salários e transferências, e o Goiás declarou valores tributários vencidos.
Por outro lado, Athletic Club, Botafogo-SP, Juventude, Londrina, Novorizontino, Operário e São Bernardo não declararam atrasos nas três áreas consideradas pelo levantamento.
Clubes recorrem a planos para reorganizar as dívidas
A pesquisa também identificou 16 equipes das duas divisões em recuperação judicial ou com planos de pagamento de credores. Sete delas apresentam simultaneamente as duas condições.
Na Série A, Atlético-MG, Corinthians, Grêmio, Internacional, Santos e Vitória aparecem com planos de credores. Botafogo, Coritiba, Cruzeiro e Vasco constam tanto em recuperação judicial quanto em planos de pagamento.
Na Série B, América-MG, Ceará, Ponte Preta e Avaí também aparecem vinculados a mecanismos de reorganização financeira. Náutico e Sport estão em recuperação judicial e possuem planos de credores.
A existência desses acordos, porém, não significa necessariamente que todas as obrigações estejam vencidas. O levantamento diferencia compromissos efetivamente atrasados daqueles incluídos em negociações para pagamento futuro.
Endividamento chega perto de R$ 20 bilhões
O valor de R$ 19,99 bilhões corresponde ao endividamento total das 40 equipes, calculado a partir dos balanços encerrados em 31 de dezembro de 2025. Já os dados de inadimplência retratam os compromissos que os próprios clubes declararam não ter quitado nos prazos previstos em 2026.
A análise permite acompanhar a situação financeira das equipes em relação a salários, transferências de jogadores, impostos e renegociação de dívidas, evidenciando os desafios econômicos enfrentados por parte dos principais clubes do país.
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