Ministro aponta ligação entre bets e crime organizado e cita R$ 3,3 bilhões bloqueados

Ministro aponta ligação entre bets e crime organizado e cita R$ 3,3 bilhões bloqueados

Wellington César Lima e Silva afirmou que investigações identificaram movimentações suspeitas envolvendo plataformas de apostas; declaração foi feita durante audiência pública no STF

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que o governo federal identificou uma relação preocupante entre o setor de apostas on-line, conhecido como bets, e organizações criminosas. A declaração foi feita na terça-feira (3), durante uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a regulamentação e a proibição das plataformas de apostas.

Na ocasião, o ministro destacou que investigações apontaram a utilização desses sistemas para movimentar recursos de origem ilegal e dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido por meio de atividades criminosas, como o tráfico de drogas.

“Desafortunadamente, constatamos uma proximidade indesejável da atividade de bets com o crime organizado, com a lavagem de dinheiro”, afirmou.

R$ 3,3 bilhões em movimentações suspeitas

Dados apresentados pelo Ministério da Justiça ao STF indicam que R$ 3,3 bilhões em movimentações suspeitas relacionadas às bets já foram bloqueados. O valor é resultado de 21 operações realizadas por forças policiais e pelo Ministério Público desde 2018.

Segundo Wellington César, organizações criminosas utilizam plataformas de apostas eletrônicas como meio para tentar ocultar a origem de recursos provenientes de atividades ilícitas.

O ministro também defendeu que a população compreenda a dimensão do problema e os impactos das decisões discutidas durante a audiência.

STF debate restrições às plataformas de apostas

A audiência pública foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator de recursos apresentados pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).

As entidades questionam a Medida Provisória nº 1.394/2026, editada em setembro deste ano, que estabeleceu a proibição da exploração e da publicidade de jogos on-line.

Durante o debate, representantes de diferentes setores foram chamados a apresentar informações e argumentos sobre os impactos da medida e os riscos associados às plataformas de apostas.

A discussão ocorre em meio às preocupações com a lavagem de dinheiro e a possível utilização do mercado de apostas por organizações criminosas.

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