“Senhor do Crachá – A Síndrome do Pequeno Poder”

“Senhor do Crachá – A Síndrome do Pequeno Poder”

Tem gente que, basta um crachá pendurado no pescoço e um radinho preso na cintura, que já se transforma. Endireita a coluna, estufa o peito e parece até que passou em concurso da NASA. De repente, o sujeito que até ontem era só mais um na fila do supermercado, hoje está barrando acesso, distribuindo ordens e fiscalizando sorriso alheio.

E não importa se é festa de um dia, evento de três ou mandato de quatro anos. Quando o vírus do pseudo-poder pega, ele não quer saber de duração: já sobe à cabeça que nem espumante barato no calor de São João.

Aliás, evento – seja público ou privado – é terreno fértil. É só entregar uma prancheta e um “você cuida da entrada do camarote”, que nasce um novo coronel. A pessoa ganha 72 horas de “autoridade” e age como se tivesse sido eleita em voto direto, com diploma em moldura e tudo. Controla pulseira como se fosse código nuclear. Muda de tom com quem tenta argumentar. Aponta pra fila com o dedo e, se deixar, faz discurso de posse.

Em prefeituras, então, a síndrome vem turbinada. Tem os que se apegam a um cargo comissionado como se fosse vitalício. Acham que o celular da secretaria é o número do próprio gabinete de ministro. Esquecem que o poder é emprestado – e que a cadeira que hoje ocupam pode muito bem estar com outro amanhã.

E no fim, o que sobra é isso: uma coleção de histórias que fazem rir e refletir. Porque o poder verdadeiro não grita, não barra, não se impõe. Ele se reconhece. Ele chega e as portas se abrem – não por medo, mas por respeito.

Afinal, evento dura três dias. Mandato, quatro anos. E você? Vai ser lembrado por quem foi – ou esquecido por como agiu?
No fim das contas, a prancheta volta pro almoxarifado… mas o caráter, esse é seu pra sempre – ou pra nunca.

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