Banda EVA: a história do grêmio estudantil que virou um dos maiores ícones do axé
Pouca gente sabe, mas a Banda EVA — um dos nomes mais marcantes da história da música baiana — não nasceu como banda. Sua trajetória começou muito antes dos grandes palcos, nos tempos de escola, passando por blocos de carnaval, vozes lendárias e transformações que moldaram o axé brasileiro.
Tudo começou como um grêmio estudantil
Em 1977, onze amigos do Colégio Marista de Salvador criaram um grêmio estudantil para se reunir fora da escola e tocar frevo e axé. O encontro acontecia num sítio de um dos integrantes, conhecido como Adermazinho, localizado na Estrada Velha do Aeroporto.
Daí veio o nome EVA — abreviação de Estrada Velha do Aeroporto.
Nada a ver com “Adão e Eva”, como muitos imaginam.
Do grêmio ao bloco de carnaval
O grupo cresceu e, em 1980, decidiu ir além: transformou o grêmio em um bloco de carnaval. A primeira festa aconteceu na antiga casa de shows Ex-Parafrenália, e o grupo contratou o Chiclete com Banana (ainda chamado de Scorpions) para marcar o início dessa nova fase.
Em 1981, o bloco saiu pela primeira vez às ruas, com Anderson Cirne como vocalista.
Os primeiros clássicos e um puxador lendário
Em 1982, o bloco ganhou força quando o puxador foi ninguém menos que Jota Morbeck, considerado um dos maiores puxadores de trio da história. Foi ele quem cantou “Minha Pequena Eva” pela primeira vez em um trio — música que muitos acreditam ser da banda, mas que na verdade pertence ao grupo Rádio Taxi.
Com Jota vieram os primeiros clássicos do EVA, como “Frevo Eva”.
Vozes que marcaram gerações
Nos anos seguintes, o bloco foi comandado por grandes nomes:
- Carlinhos Caldas (1983–1985) – sua fase ficou marcada pela canção “Flagra”, de Rita Lee.
- Marcionílio (1986–1987) – compositor de “Eva Alegria, Leva Meu Amor”.
- Ricardo Chaves (1988–1992) – gravou “Minha Pequena Eva” e “Eu Vou no Eva”, consolidando sucessos até hoje lembrados.
- Durval Lelys / Asa de Águia (1993–1995) – o Asa comandou o bloco durante três carnavais.
O capítulo de Daniela Mercury
Antes de estourar como estrela solo, Daniela Mercury foi backing vocal do EVA por três anos — um com Marcionílio e dois com Ricardo Chaves. Em 1988, quando Ricardo perdeu a voz, Daniela assumiu o trio sozinha.
“Foi ela que me salvou!”, revelou Ricardo Chaves.
A chegada de Ivete e o nascimento oficial da Banda EVA
O sucesso do bloco foi tanto que, em 1993, um dos fundadores, Jonga Cunha, decidiu criar a banda oficial do EVA para puxar o bloco nos carnavais seguintes.
E quem assumiu os vocais?
Ivete Sangalo, que transformou o grupo em um fenômeno nacional.
Assim nascia a Banda EVA como conhecemos hoje — sinônimo de alegria, axé e uma história que atravessa gerações.
Vocalistas pós-Ivete
Depois da saída de Ivete em 16 de fevereiro de 1999, outras vozes importantes passaram pelo EVA:
- Emanuelle Araújo (1999–2002) – revelação do Carnaval 2000; lançou “Ao Vivo Parte II” e “Experimenta”.
- Saulo Fernandes (2002–2013) – consolidou a fase masculina do EVA; eternizou hits como “Coisa Linda”, “É do Eva” e “Não Precisa Mudar”.
- Felipe Pezzoni (2013–atualmente) – recebeu prêmios de cantor e artista revelação do Carnaval; lançou o DVD “Eva Sunset”.
Um grêmio, um bloco e uma banda que virou história
Da Estrada Velha do Aeroporto ao topo do axé, o EVA construiu uma trajetória singular. O que começou como brincadeira de amigos de escola tornou-se um dos movimentos musicais mais importantes do Brasil.
Hoje, o EVA segue reinventando sua história, mas sem perder a essência de alegria, energia e coletividade que acompanha o grupo desde 1977.
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