Bahia soma mais de 31 mil denúncias de violações de direitos humanos em 2025; pessoas com deficiência ultrapassam mulheres entre os grupos mais atingidos
A Bahia registrou 31.837 denúncias de violações de direitos humanos ao longo de 2025, entre os dias 1º de janeiro e 26 de dezembro. Os dados constam no Painel da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos (MDH), e colocam o estado como o quinto com maior número de registros no país. Em nível nacional, o canal contabilizou 633.977 denúncias no mesmo período.
As ocorrências envolvem violações à integridade física, psicológica, intelectual e à liberdade, entre outras formas de violência. Os registros são feitos por meio do Disque 100, canal oficial do governo federal. Na Bahia, foram abertos 18.895 protocolos, que resultaram em 231.228 violações de direitos identificadas, já que um único protocolo pode reunir várias denúncias, e cada denúncia pode envolver mais de uma violação.
Apesar do volume expressivo, o estado apresentou queda em relação a 2024, com 2.189 denúncias a menos. Ainda assim, a Bahia manteve a quinta colocação no ranking nacional, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul — a mesma posição ocupada no ano anterior.
Crianças lideram, mas PCDs superam mulheres
O levantamento aponta que crianças e adolescentes continuam sendo o grupo mais vulnerável no estado. Em 2025, esse público foi alvo de 14.931 denúncias, o que corresponde a 46,9% do total. Em seguida aparecem os idosos, com 8.233 registros, ou 25,86%.
A principal mudança em relação a 2024 está na terceira posição do ranking: a violência contra pessoas com deficiência (PCDs) ultrapassou a violência contra mulheres. Foram registradas 6.618 denúncias envolvendo PCDs, o equivalente a 20,79% do total. Já os casos de violência contra mulheres somaram 4.399 denúncias, representando 13,82%.
Outros grupos também aparecem no levantamento, como violência contra família e comunidade (4.270 denúncias – 13,41%), população LGBTQIA+ (791 – 2,48%), pessoas em situação de rua (235 – 0,74%) e pessoas privadas de liberdade (228 – 0,72%).
Perfil das vítimas
Embora as mulheres liderem como vítimas em termos gerais, representando 52% das denúncias (16.850 registros), os homens também aparecem de forma significativa, com 12.269 denúncias, ou 38,4%. Em pouco mais de 8% dos casos (2.810), o gênero não foi informado ou a violação envolveu grupos sem definição de gênero.
Quanto à faixa etária, idosos entre 70 e 74 anos concentram o maior número de denúncias individuais, com 1.418 registros. Em seguida, aparecem adultos entre 35 e 44 anos, que, juntos, somam 3.991 denúncias. Na sequência, idosos voltam a figurar entre os grupos mais vulneráveis, com 1.237 registros adicionais.
No recorte racial, pessoas pardas são as mais atingidas, aparecendo como vítimas em 13.744 denúncias. Pessoas brancas somaram 7.638 registros, enquanto pessoas pretas aparecem em 5.945. Já pessoas indígenas foram vítimas em 188 denúncias, pessoas amarelas em 94, e em 4.290 casos a raça ou cor não foi informada.
Os números reforçam o alerta para a necessidade de políticas públicas contínuas de proteção social, prevenção à violência e fortalecimento dos canais de denúncia, especialmente voltadas aos grupos historicamente mais vulneráveis da população baiana.

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