Secretarias de Comunicação estariam sufocadas com proliferação de “pseudo veículos” de mídia
Nos bastidores das administrações públicas da região, um tema tem gerado cada vez mais incômodo entre gestores de comunicação: a crescente proliferação de páginas, blogs e perfis que se autointitulam veículos de imprensa.
Segundo informações que chegaram à redação do Ilhéus Eventos, secretarias de comunicação de diferentes prefeituras têm enfrentado uma pressão constante de novos perfis e páginas que surgem quase diariamente reivindicando espaço em campanhas institucionais e na divisão das verbas publicitárias destinadas à divulgação oficial.
“Todo dia nasce um blog novo”, afirmou, sob reserva, um secretário de comunicação de uma prefeitura da região. Segundo ele, a situação tem se tornado difícil de administrar diante da quantidade de solicitações de apoio, publicidade e parcerias institucionais feitas por páginas recém-criadas.
O fenômeno não é exclusivo de Ilhéus ou do sul da Bahia. Com a facilidade de criação de perfis em redes sociais e plataformas digitais, qualquer pessoa pode abrir uma página no Instagram ou criar um blog simples e passar a se apresentar como “veículo de comunicação”. Em muitos casos, essas páginas são criadas sem estrutura profissional, sem equipe editorial e sem compromisso com critérios básicos do jornalismo.
Nos bastidores da comunicação pública, há relatos de que alguns desses perfis surgem já com o objetivo claro de acessar recursos de publicidade institucional, acreditando que a simples existência de uma página ou site seja suficiente para disputar espaço com veículos tradicionais.
Enquanto isso, profissionais da área lembram que o trabalho jornalístico envolve muito mais do que a simples publicação de conteúdos em redes sociais. TVs, rádios, portais estruturados, jornais, revistas e blogs consolidados operam com equipes, apuração de informações, responsabilidade editorial e investimento contínuo em estrutura e produção de conteúdo.
Segundo relatos obtidos pelo Ilhéus Eventos, o crescimento desordenado de páginas que se apresentam como “imprensa” tem criado um ambiente de pressão constante sobre as secretarias de comunicação, que precisam lidar com cobranças, solicitações e até ameaças veladas de exposição negativa caso não haja apoio institucional.
Para gestores da área, o cenário acaba prejudicando justamente quem trabalha de forma séria e profissional. A equiparação entre veículos estruturados e páginas improvisadas pode gerar distorções na distribuição de publicidade pública e comprometer a valorização do jornalismo profissional.
Nos bastidores, a avaliação de alguns profissionais é de que os governos precisam estabelecer critérios claros e técnicos para a destinação de verbas de comunicação institucional, priorizando veículos que efetivamente possuam alcance, credibilidade, regularidade editorial e responsabilidade com a informação.
“A comunicação pública precisa dialogar com a sociedade, mas isso não pode significar ceder a qualquer pressão ou reconhecer como imprensa páginas criadas sem compromisso com o jornalismo”, comentou outro profissional da área ouvido pela reportagem.
O debate sobre a valorização do jornalismo profissional e os critérios de relacionamento entre poder público e veículos de comunicação tem ganhado espaço em diferentes cidades do país, especialmente diante do crescimento acelerado das plataformas digitais.
Para muitos profissionais do setor, mais do que uma disputa por publicidade, o tema envolve também a defesa da qualidade da informação e do papel social exercido pela imprensa.
Enquanto isso, nos bastidores das secretarias de comunicação, a frase repetida por alguns gestores resume o momento vivido: “todo dia nasce um blog novo — e todo dia alguém quer ser tratado como imprensa.”

Sorry, the comment form is closed at this time.