Terreiros de Candomblé se manifestam após repercussão do caso Noah
Lideranças de terreiros de Candomblé divulgaram notas de repúdio após a repercussão do caso do bebê Noah, de 11 meses, sequestrado em Firmino Alves e encontrado em Ilhéus. As comunidades religiosas condenaram a violência contra crianças e alertaram para o risco de intolerância religiosa diante de comentários que associam o crime a supostas práticas ritualísticas sem comprovação.
Um dos posicionamentos foi divulgado pelo INZO KAFUN UA KESU, da Nação Angola e tradição Bantu. A instituição repudiou a violência, a desinformação e os julgamentos precipitados, além de manifestar solidariedade à criança e à família.
Na nota, o terreiro defendeu que as circunstâncias do caso sejam esclarecidas pelas autoridades com base em fatos e provas. A comunidade também ressaltou que a conduta de indivíduos não deve ser atribuída a uma religião inteira e alertou para os riscos de acusações disseminadas nas redes sociais antes da conclusão das investigações.
Ilê Alaketú Asé Omi T’Ogun também divulga nota
O Ilê Alaketú Asé Omi T’Ogun, de Vitória da Conquista, também se manifestou publicamente nesta quinta-feira (15). Assinada pelo Babalorixá Loro T’Osógýòn, a nota condena qualquer forma de crime, violência ou violação dos direitos humanos, especialmente contra crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade.
O documento afirma que o Candomblé é uma religião fundamentada na paz, no amor, no respeito e na proteção à vida. A instituição reforçou que não compactua com atitudes contrárias a esses princípios e destacou que crimes eventualmente cometidos por indivíduos não representam toda a comunidade religiosa, sua história ou ancestralidade.
A manifestação também defende a apuração responsável dos fatos e pede respeito às tradições de matriz africana, para que informações não confirmadas não sejam utilizadas para alimentar o preconceito.
Caso Noah segue sob investigação
Noah foi levado à força na noite de terça-feira (13), no distrito de Ponto do Astério, em Firmino Alves, e encontrado na quarta-feira (14), em uma cabana na Praia do Sul, em Ilhéus. Dois suspeitos foram presos durante uma operação policial na região de Ibicuí.
A possível motivação do crime ainda precisa ser esclarecida pelas autoridades. Até o momento, não há confirmação oficial de que o sequestro tenha relação com rituais religiosos.
As lideranças religiosas defendem que as investigações avancem com responsabilidade e que a busca por justiça não seja utilizada para justificar ataques ou generalizações contra religiões de matriz africana.
Acompanhe mais notícias em www.ilheuseventos.com.br e siga @ilheuseventos.

Sorry, the comment form is closed at this time.