Mensagens revelam que aluno teve acesso antecipado a mais questões do Enem: ‘pode marcar sem medo’
O caso envolvendo o estudante de medicina Edcley Teixeira, que já havia causado polêmica ao divulgar em uma live questões praticamente idênticas às aplicadas no Enem 2025, ganhou novos desdobramentos. Mensagens obtidas pelo g1 mostram que ele antecipou, ainda em março deste ano — oito meses antes da aplicação oficial — as respostas de outras duas questões de matemática que continuam válidas no gabarito do Inep, já que não estão entre as três anuladas pelo instituto.
As mensagens foram enviadas em um grupo de WhatsApp com centenas de alunos que pagavam por sua monitoria. Em um dos prints, de 17 de março de 2025, Edcley afirma:
“Uma coisa eu garanto: se cair no Enem, pode marcar ‘125/216’ sem medo de ser feliz… Nem leia, não.”
A resposta coincide exatamente com a questão de probabilidade do lançamento de dados que apareceu no Enem (questão 178 da prova azul). A alternativa correta, segundo o gabarito oficial, é justamente “125/216”.
Em outro momento, também em março, o estudante enviou aos alunos um exercício envolvendo concentração de soluções químicas, cuja resposta era 5 ml. O mesmo problema, com números idênticos, caiu na prova oficial — apenas com a unidade transformada para litros. Mais uma vez, a resposta correta era 5.
Nenhuma das duas questões foi anulada.
Como Edcley teve acesso aos itens
O g1 revelou que Edcley explorava um sistema do Prêmio Capes de Talento Universitário, que utilizava perguntas “pré-testadas”, potencialmente reaproveitadas no Enem. Ele:
- identificou que essas questões poderiam cair no futuro;
- estimulou universitários a participar da prova;
- pagava valores a partir de R$ 10 para que memorizassem perguntas;
- montou um banco de itens;
- usava o conteúdo em mentorias pagas para alunos.
Após a aplicação do Enem, o próprio Edcley comemorou nos grupos privados:
“Olha isso!!! Sei que todos vocês acertaram kakakaka.”
“A questão da água… eu mandei no privado de todos!”
As mensagens foram recuperadas pelo g1 e também chegaram a ser repostadas pelo próprio estudante em seus stories.
Reação do Inep e do MEC
Apesar das coincidências, o Inep anulou apenas as três questões que Edcley mencionou em live, cinco dias antes do exame — não as que circulavam desde março.
Até a última atualização, o órgão não havia se manifestado sobre os itens de matemática antecipados meses antes.
O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o resultado do Enem segue previsto para janeiro de 2026. Manuel Palacios, presidente do Inep, declarou que “não há risco técnico” de fraude na prova.
A Polícia Federal segue investigando o caso e apreendeu computador e celular do estudante.

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