Acordo entre Mercosul e União Europeia pode impactar produção de chocolates artesanais do sul da Bahia
A possível consolidação do Acordo entre Mercosul e União Europeia tem gerado preocupação entre produtores de chocolates finos do sul da Bahia. Especialistas do setor alertam que, nos moldes atuais, o tratado pode favorecer a entrada de chocolates europeus no mercado brasileiro sem garantir vantagens semelhantes para os produtos nacionais.
Em entrevista ao Blog Pimenta, o diretor-geral do Consórcio Cabruca, Thiago Fernandes, destacou que a principal preocupação envolve a competitividade dos chocolates artesanais produzidos na região. Segundo ele, o acordo tende a facilitar a importação de produtos europeus com custos reduzidos, enquanto os chocolates brasileiros ainda enfrentariam dificuldades para conquistar espaço no mercado internacional com condições favoráveis.
O especialista explica que o principal obstáculo está na ausência da Indicação Geográfica (IG) para os chocolates finos produzidos na região. A certificação, concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), reconhece a origem e as características específicas de determinados produtos, como já ocorre com itens como queijo Canastra, cachaça e cafés especiais, que possuem maior competitividade em acordos comerciais internacionais.
Apesar disso, o cacau produzido na Bahia já possui Indicação Geográfica, o que garante benefícios dentro do acordo comercial. No entanto, o chocolate produzido a partir dessa matéria-prima ainda não conta com o mesmo reconhecimento, o que pode gerar desigualdade nas negociações comerciais.
Pesquisas e estudos têm sido desenvolvidos para tentar ampliar esse reconhecimento. Um dos focos é valorizar o chocolate produzido a partir do sistema agroflorestal conhecido como cabruca, método tradicional que preserva a Mata Atlântica e mantém práticas sustentáveis na produção do cacau. Além do impacto ambiental positivo, o modelo também está associado à valorização social dos trabalhadores envolvidos na cadeia produtiva.
O Consórcio Cabruca vem articulando fabricantes que utilizam cacau produzido em cidades da Região Cacaueira com o objetivo de dar entrada no processo de certificação da Indicação Geográfica para os chocolates finos. A proposta é fortalecer o valor agregado do produto e ampliar sua competitividade no cenário internacional.
O tema também já foi levado ao Governo Federal. Durante participação no Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, realizado no Panamá, representantes do setor entregaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um documento solicitando apoio nas negociações do acordo comercial, defendendo medidas que garantam maior equilíbrio para os produtores brasileiros.
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