Acordo UE-Mercosul pode ampliar mercado de chocolates premium e reacende debate sobre o cacau em Ilhéus

Acordo UE-Mercosul pode ampliar mercado de chocolates premium e reacende debate sobre o cacau em Ilhéus

A aprovação provisória do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, anunciada nesta sexta-feira (9) pelos países europeus, pode trazer impactos diretos para o mercado brasileiro de chocolates e o tema ganha atenção especial em Ilhéus, um dos principais polos históricos da produção de cacau no país.

caso entre efetivamente em vigor, a tarifa de importação do chocolate europeu, hoje em 20%, será reduzida de forma gradual: parte dos produtos terá imposto zerado em 10 anos, enquanto outra parcela chegará a tarifa zero em 15 anos. A medida pode ampliar a presença de marcas premium europeias no Brasil, que atualmente enfrentam dificuldades para operar no país devido aos altos custos tributários.

Mais acesso, não necessariamente preços baixos

Especialistas avaliam que o principal efeito da redução tarifária não será a queda expressiva de preços, mas sim o aumento da oferta e da diversidade de chocolates de alto padrão. Para o professor Roberto Kanter, da FGV, o benefício direto ficará concentrado no acesso a marcas que hoje não estão disponíveis no mercado nacional ou que atuam de forma restrita.

Segundo ele, marcas internacionais premium tendem a expandir pontos de venda e canais de distribuição, chegando a cidades fora do eixo Rio-São Paulo. Ainda assim, o posicionamento de mercado desses produtos permanece voltado para consumidores de maior poder aquisitivo.

Ilhéus no centro da discussão sobre o cacau

O avanço do acordo reacende discussões importantes para regiões produtoras de cacau, como Ilhéus e o sul da Bahia. O Brasil é um dos poucos países que produzem o cacau e industrializam o chocolate, o que diferencia o cenário nacional do europeu, onde o insumo é majoritariamente importado.

Nesse contexto, especialistas apontam que a entrada de chocolates importados não elimina a competitividade do produto brasileiro, mas reforça a necessidade de valorização do cacau de origem, da produção sustentável e dos chocolates bean to bar e de origem controlada — segmentos nos quais produtores do sul da Bahia vêm ganhando reconhecimento nacional e internacional.

Para Kanter, o acordo não afeta diretamente a indústria nacional de chocolate, já que grandes marcas produzem localmente e utilizam cacau brasileiro. O impacto maior recai sobre os importadores e sobre o segmento premium, que pode crescer em visibilidade e variedade.

Desafio e oportunidade para o cacau baiano

Embora o acordo não traga redução imediata de preços para o consumidor médio, ele pode abrir espaço para um reposicionamento estratégico do chocolate brasileiro, especialmente o produzido a partir do cacau fino cultivado na região de Ilhéus. A concorrência internacional tende a ampliar o debate sobre qualidade, origem e valor agregado — pontos em que o cacau do sul da Bahia se destaca.

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