Após primeiras reportagens, ex-funcionários relatam novas denúncias sobre condições de trabalho no McDonald’s de Ilhéus

Após primeiras reportagens, ex-funcionários relatam novas denúncias sobre condições de trabalho no McDonald’s de Ilhéus

Após a publicação de matérias recentes do Ilhéus Eventos sobre relatos de sobrecarga e dificuldades operacionais na unidade do McDonald’s de Ilhéus, novos ex-funcionários procuraram a redação para relatar outras situações que, segundo eles, estariam ocorrendo dentro da loja.

Os depoimentos, enviados de forma anônima por receio de represálias, apontam supostas irregularidades relacionadas às condições de trabalho, segurança dos colaboradores e até procedimentos internos envolvendo manipulação de alimentos.

Funcionário teria desmaiado após choque térmico

Um dos relatos descreve um episódio ocorrido na área da cozinha da unidade. Segundo o depoimento, um funcionário que trabalhava na chapa teria sido orientado a entrar na câmara de congelamento para buscar carne, o que teria provocado um forte choque térmico.

De acordo com a denúncia, o colaborador passou mal e chegou a desmaiar após sair da câmara fria. O episódio, segundo o ex-funcionário, teria sido tratado internamente e não teria sido comunicado fora do ambiente da loja.

Denúncias de agressão no ambiente de trabalho

Outro relato menciona um episódio envolvendo uma discussão entre uma gerente e uma funcionária, que teria terminado em agressão física.

Segundo o depoimento enviado à redação, durante a discussão a funcionária teria sido empurrada de uma escada, situação que, de acordo com o denunciante, gerou grande tensão entre os trabalhadores na época.

Acúmulo e desvio de função

Ex-colaboradores também relatam que seria comum ocorrer desvio de função dentro da operação da loja.

Funcionários escalados para trabalhar na cozinha, por exemplo, estariam sendo frequentemente deslocados para atividades como limpeza de banheiros, retirada de lixo e organização de áreas externas, muitas vezes sem treinamento ou equipamentos adequados.

Segundo os relatos, até mesmo supervisores acabam assumindo tarefas operacionais, como preparar sanduíches ou trabalhar diretamente na chapa, deixando de exercer suas funções de supervisão.

Também há denúncias de que, em algumas situações, supervisores seriam informados de que não teriam direito a pausa regular para almoço, precisando continuar trabalhando durante o período.

Relatos de pressão e tratamento desrespeitoso

Outro ponto citado nos depoimentos envolve a forma de tratamento dentro da unidade. Alguns ex-funcionários relatam que gestores utilizariam linguagem ofensiva ou aumentariam a pressão sobre determinados colaboradores, acumulando diversas funções simultaneamente.

Segundo os relatos, haveria trabalhadores responsáveis ao mesmo tempo por tarefas como preparo de alimentos, limpeza e organização da cozinha, o que contribuiria para o desgaste das equipes.

Falta de equipamentos de proteção

A questão do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) também foi mencionada nos relatos enviados à redação.

De acordo com ex-funcionários, em muitos momentos do dia a dia os equipamentos necessários não estariam disponíveis para todos os colaboradores. Porém, quando há visitas ou fiscalizações, os EPIs seriam distribuídos de forma emergencial, criando a impressão de que os protocolos estariam sendo seguidos normalmente.

Um caso citado envolve um funcionário identificado como Gabriel, que teria sofrido queimaduras nas mãos durante o trabalho. Segundo o relato, inicialmente a situação teria sido minimizada, mas posteriormente o trabalhador precisou se afastar mediante atestado médico devido às lesões.

Denúncias envolvendo manipulação de alimentos

Os depoimentos também levantam questionamentos sobre procedimentos de higiene e manipulação de alimentos.

Ex-colaboradores afirmam que, fora de períodos de fiscalização, algumas normas sanitárias nem sempre seriam seguidas com rigor. Entre os exemplos citados estão o uso de brincos e piercings durante a manipulação de alimentos, o que normalmente é proibido por protocolos sanitários.

Outra denúncia envolve o possível reaproveitamento de alimentos vencidos, como folhas de alface que, segundo os relatos, seriam transferidas para novas cubas com etiquetas atualizadas de validade em vez de serem descartadas.

Situações semelhantes, segundo os denunciantes, poderiam ocorrer também com outros ingredientes, como pães e insumos utilizados na preparação dos sanduíches.

Pedido por apuração

Diante da gravidade dos relatos, os ex-funcionários afirmam esperar que as autoridades responsáveis e a própria empresa realizem uma apuração rigorosa das denúncias.

Os depoimentos indicam preocupação tanto com as condições de trabalho dentro da unidade quanto com a segurança alimentar dos clientes.

Espaço aberto para manifestação

O Ilhéus Eventos deixa o espaço aberto para manifestação da empresa responsável pela operação da unidade do McDonald’s em Ilhéus para esclarecimentos sobre os relatos apresentados.

A reportagem também segue acompanhando o caso e eventuais desdobramentos.

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