Limpar a Praia da Avenida virou crime?

Limpar a Praia da Avenida virou crime?

Ilhéus vive um paradoxo difícil de explicar. Em um momento em que a cidade tenta recuperar um de seus principais cartões-postais, a Praia da Avenida, ações básicas de cuidado ambiental e limpeza urbana passaram a enfrentar entraves que geram revolta, indignação e, sobretudo, incompreensão por parte da população.

A pergunta que ecoa nas ruas é simples e direta: desde quando limpar uma praia se tornou um problema?

A iniciativa do prefeito Valderico Júnior de promover a limpeza da faixa de areia — algo aguardado há anos pelos ilheenses — acabou esbarrando em questionamentos e impedimentos vindos do Ministério Público. A partir daí, o debate deixou de ser apenas técnico e passou a ser social, político e coletivo.

A população não discute a importância da preservação ambiental. Ao contrário: quer uma praia limpa, organizada e ambientalmente responsável. O que causa estranheza é a sensação de que há rigor excessivo quando se trata de Ilhéus, enquanto outras cidades costeiras avançam com ações semelhantes sem enfrentar o mesmo tipo de bloqueio.

Afinal, qual é o limite entre fiscalizar e paralisar?

O sentimento popular é de que a Praia da Avenida foi abandonada por décadas, e agora que surge uma gestão disposta a enfrentar o problema de frente, surgem obstáculos que parecem descolados da realidade de quem vive a cidade todos os dias. Não se trata de agir de forma irresponsável, mas de encontrar soluções viáveis, técnicas e urgentes para um espaço que estava, literalmente, à margem.

Outro ponto que gera questionamentos é a seletividade. Por que determinadas áreas podem ser exploradas, ocupadas ou modificadas ao longo do litoral, enquanto uma ação de limpeza enfrenta tamanho rigor? Como está, de fato, a fiscalização ambiental em outros pontos da cidade? Os critérios são os mesmos para todos?

São perguntas legítimas, feitas por cidadãos que querem respostas — não embates institucionais.

Ilhéus não pede licença para degradar. Pede permissão para cuidar. Pede diálogo. Pede bom senso. Pede que o interesse público seja colocado acima de disputas, interpretações rígidas ou disputas de protagonismo.

A cidade quer avançar. A população quer uma praia limpa, viva e frequentada. E o que não se entende é por que isso, agora, parece tão difícil.

Quando cuidar vira problema, algo precisa ser revisto.

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