O que é a restinga, tema de debate em Ilhéus sobre limpeza de áreas de praia
A vegetação que cresce entre a faixa de areia e o mar, conhecida como restinga, voltou a ser pauta em Ilhéus após questionamentos sobre a falta de limpeza em áreas tomadas pelo mato, especialmente na Zona Sul, onde três mulheres foram brutalmente assassinadas neste mês. O assunto, que mistura turismo, segurança e legislação ambiental, ganhou força nesta terça-feira, 19 de agosto, quando o prefeito Valderico Júnior comentou, em entrevista, sobre as limitações da Prefeitura para realizar a remoção dessa vegetação.
Segundo ele, a gestão enfrenta barreiras jurídicas e ambientais. Apesar disso, o prefeito afirmou que “cerca de 80% da vegetação da Avenida Soares Lopes, por exemplo, não é restinga”, o que poderia abrir espaço para intervenções.
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O que é a restinga
A restinga é um ecossistema típico da Mata Atlântica, formado por vegetação de areia que cresce nas faixas litorâneas. Além de ter função paisagística, ela é considerada fundamental para:
• fixação da areia e prevenção da erosão costeira;
• proteção da fauna local, servindo de abrigo para diversas espécies;
• barreira natural contra ressacas e ventos fortes;
• preservação de recursos hídricos.
Por essa relevância, a restinga é considerada Área de Preservação Permanente (APP) pelo Código Florestal e pela Lei da Mata Atlântica, sendo protegida também por resoluções do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), restauradas pelo STF em 2021 após polêmica revogação.
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Debate histórico em Ilhéus
Esse impasse não é novo. Em 2020, o então prefeito Jabes Ribeiro chegou a autorizar a limpeza da vegetação na Soares Lopes, o que gerou impacto visual elogiado por parte da população. A ação, porém, foi suspensa após questionamentos do Ministério Público Federal e Estadual, que alegaram tratar-se de restinga protegida por lei.
Desde então, o tema divide opiniões: de um lado, moradores e comerciantes defendem a limpeza pela estética, pela sensação de segurança e pela valorização turística; do outro, órgãos ambientais reforçam a importância ecológica e os riscos de dano irreversível.
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Atualidade do debate
O assassinato das três mulheres na Zona Sul reaqueceu as críticas de que a vegetação alta facilita esconderijos e compromete a segurança. A Prefeitura, por sua vez, sustenta que precisa respeitar as regras ambientais, sob pena de sofrer sanções.
Agora, com a fala do prefeito Valderico Júnior de que a maior parte da vegetação da Soares Lopes não seria, tecnicamente, restinga, o debate deve ganhar novos capítulos — e caberá a laudos técnicos definir os limites de intervenção possíveis.

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