Brasil mantém boa relação com o Irã e não há motivos para interferir, diz ex-embaixador

Brasil mantém boa relação com o Irã e não há motivos para interferir, diz ex-embaixador

Em meio à escalada de tensão no Oriente Médio, o ex-embaixador do Brasil no Irã e atual vice-presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Eduardo Gradilone, afirmou que a ofensiva militar contra o país persa pode ter objetivos que vão além da questão nuclear.

Em entrevista ao programa Revista CBN, Gradilone declarou que o argumento nuclear não explicaria sozinho a recente escalada de ataques.

“O pretexto nuclear, como se viu, não se sustenta, porque, como se viu pelas declarações do chanceler de Omã que estava intermediando as negociações semi-concluídas, lamentando que houvesse ocorrido esses ataques, porque as negociações tinham chegado a concessões inéditas do Irã na área nuclear e, nem bem terminaram, houve esses ataques.”

Segundo ele, as negociações mediadas por Omã estariam avançadas e contariam com concessões consideradas inéditas por parte do governo iraniano na área nuclear. Ainda assim, os ataques foram iniciados.

“Agora, o que está declaradamente dito, tanto pelo governo americano como por outros interlocutores, é que deve haver uma mudança de regime.”

Para o ex-embaixador, o Oriente Médio é marcado por disputas históricas e estratégicas, e a presença iraniana na região representa um desafio direto aos interesses de Washington e Tel Aviv.

A posição do Brasil

Ao comentar a postura brasileira, Gradilone destacou que o Brasil mantém relações diplomáticas com o Irã há mais de um século, baseadas no respeito à soberania e ao direito internacional.

Ele ressaltou ainda que o relacionamento bilateral inclui uma pauta comercial relevante, especialmente para o agronegócio brasileiro, afastando a ideia de que o país tenha um alinhamento político com o regime iraniano.

“Não creio que se possa dizer que nós temos um apoio tão declarado assim ao Irã, principalmente no que se refere a assuntos de natureza doméstica. Nós simplesmente pautamos a nossa conduta de acordo com o direito internacional.”

O ex-embaixador acrescentou que o Brasil atua dentro dos mecanismos multilaterais, inclusive no âmbito das Nações Unidas, defendendo investigações e avaliações quando necessário.

“Se há, por exemplo, investigação da Comissão de Direitos Humanos, e é hora do Irã ser avaliado, nós contribuímos também com sugestões e fazemos isso dentro do quadro das Nações Unidas.”

As declarações reforçam o debate internacional sobre os reais objetivos da ofensiva militar e os possíveis desdobramentos geopolíticos da crise.

Com a escalada de tensão, o cenário segue em evolução e a comunidade internacional acompanha os próximos movimentos das potências envolvidas.

No Comments

Sorry, the comment form is closed at this time.