Nobel da Paz, Navi Pillay brinca sobre dividir prêmio com Trump

Nobel da Paz, Navi Pillay brinca sobre dividir prêmio com Trump

A jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, reagiu com bom humor ao ser anunciada como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. Em sua primeira declaração pública após o anúncio, nesta sexta-feira (9), ela brincou que poderia dividir a honraria com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso os aplausos continuassem.

“Talvez dividiria o prêmio com Trump”, disse Pillay, em tom descontraído. A jurista também demonstrou surpresa com o reconhecimento e afirmou que, como advogada e juíza, ainda gostaria de verificar se a notícia era verdadeira.

A referência a Trump ocorreu dois dias depois de o presidente norte-americano afirmar que merecia receber o Nobel da Paz por sua atuação em conflitos internacionais. Na quarta-feira (7), ele declarou ter evitado uma “destruição total do mundo”.

Jurista destacou denúncia de genocídio em Gaza

Durante seu pronunciamento, Pillay relembrou o trabalho desenvolvido na comissão de investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os territórios palestinos ocupados. Em relatório publicado em 2025, a comissão apontou a ocorrência de genocídio na Faixa de Gaza, conclusão rejeitada pelo governo de Israel.

A jurista afirmou ter ficado surpresa com o reconhecimento de sua coragem após a divulgação do documento. Para ela, analisar provas, interpretar a legislação e tomar decisões imparciais fazem parte das responsabilidades de quem atua na área jurídica.

Pillay também declarou que pretende continuar trabalhando enquanto tiver condições de contribuir. Atualmente, participa como juíza ad hoc do processo movido pela Gâmbia contra Mianmar, relacionado a acusações de genocídio contra a minoria rohingya.

Trajetória marcada pela defesa dos direitos humanos

Nascida em 1941, na África do Sul, Navi Pillay fez história ao se tornar, em 1967, a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província de Natal. Durante o regime do apartheid, defendeu ativistas contrários à segregação racial e denunciou casos de tortura e violações de direitos humanos praticadas pelo Estado.

Após o fim do regime segregacionista, ganhou projeção internacional. Foi juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, onde também exerceu a presidência, e integrou o Tribunal Penal Internacional. Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Ao anunciar a premiação, o Comitê Norueguês do Nobel destacou a contribuição de Pillay para o direito internacional, a responsabilização por crimes e a proteção de vítimas de violência.

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