Petróleo sobe mais de 4% com aumento das tensões entre EUA e Irã

Petróleo sobe mais de 4% com aumento das tensões entre EUA e Irã

As cotações do petróleo avançaram mais de 4% nesta quinta-feira (24), atingindo o maior nível em cerca de duas semanas. A alta ocorreu em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã após declarações feitas pelos dois países durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

O mercado interpretou os discursos como um sinal de que as negociações para encerrar o conflito permanecem distantes de um acordo. A possibilidade de novos ataques e de restrições no Estreito de Hormuz voltou a preocupar investidores.

Por volta das 12h47, no horário de Brasília, o barril do Brent, referência internacional, era negociado a US$ 107,94, com valorização de 4,61%. Já o WTI, utilizado como referência no mercado norte-americano, subia 4,63%, para US$ 96,39.

O Estreito de Hormuz é considerado uma das principais rotas de transporte de energia do mundo. Antes do início da guerra, cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás passava pela região.

Declarações aumentaram preocupação

A tensão ganhou força após os discursos dos líderes dos dois países na ONU. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez ameaças contra o Irã durante sua fala na segunda-feira (22).

No dia seguinte, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não pretende abandonar seu programa nuclear e acusou Estados Unidos e Israel de terrorismo. Durante o discurso, ele apresentou imagens de crianças iranianas mortas durante o conflito. A delegação norte-americana deixou o plenário enquanto o presidente iraniano falava.

Para o estrategista macroeconômico Henry Allen, do Deutsche Bank, as declarações reforçaram entre investidores a percepção de que os dois lados continuam distantes de uma solução diplomática.

Possibilidade de expansão do conflito

Nesta quinta, Yahya Rahim Safavi, conselheiro próximo ao líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que o conflito poderá se expandir para outras áreas caso os Estados Unidos voltem a atacar o território iraniano.

Segundo ele, a possibilidade incluiria uma ampliação das operações até o Oceano Índico.

O cenário também envolve os houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, que atua na região do Mar Vermelho. O grupo controla áreas da costa iemenita próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, uma passagem estratégica para o transporte marítimo entre o Oceano Índico, o Mar Vermelho e o Canal de Suez.

O Irã afirma apoiar os houthis militarmente, mas nega participação direta na atual frente de combate.

Irã apresenta condições para acordo

Teerã estabeleceu sete condições para um possível acordo de paz com os Estados Unidos. Entre as exigências estão a suspensão das sanções econômicas impostas ao país e a liberação de ativos iranianos congelados no exterior.

Enquanto não há avanço nas negociações, a possibilidade de prolongamento do conflito mantém a pressão sobre o mercado de energia e aumenta as preocupações com a oferta global de petróleo.

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