Protestos e prejuízos agravam crise do cacau na Costa do Marfim
A crise no setor cacaueiro da Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, ganhou novos capítulos de tensão após agricultores realizarem protestos contra atrasos em pagamentos e acúmulo de estoques da safra principal.
Produtores denunciam que toneladas de cacau permanecem armazenadas desde novembro e dezembro sem solução comercial, enquanto parte dos grãos já apresenta sinais de deterioração.
A situação provocou revolta em regiões produtoras do país africano e levou o Conselho do Café e Cacau da Costa do Marfim (CCC) a enviar representantes para tentar conter a insatisfação no campo.
Na cidade de M’Batto, agricultores chegaram a bloquear estradas durante manifestações. A polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar os protestos.
O principal problema envolve a forte queda dos preços internacionais do cacau. O governo marfinense trabalha com um sistema que fixa antecipadamente o valor pago aos produtores, mas a desvalorização do mercado tornou inviável parte das negociações previstas para a safra.
Com isso, cooperativas e compradores deixaram grandes volumes estocados sem efetuar os pagamentos prometidos aos agricultores.
Como tentativa de amenizar a crise, o governo anunciou um programa para retirada dos estoques encalhados. No entanto, produtores afirmam que muitos repasses ainda não aconteceram.
Em Daloa, importante região produtora, uma cooperativa com mais de 300 agricultores informou que ainda mantém cerca de 150 toneladas de cacau sem comercialização definitiva.
Segundo representantes do setor, a situação já afeta diretamente a manutenção das lavouras e pode comprometer a próxima safra.
“Os produtores dependiam desse dinheiro para investir nas plantações”, afirmou o gestor cooperativista Albert Konan.
Além dos impactos econômicos, a crise passou a atingir o lado social das comunidades rurais. Agricultores relatam dificuldades para despesas básicas, incluindo cuidados médicos e manutenção das famílias.
Em algumas regiões, produtores aceitaram vender estoques deteriorados por valores muito abaixo do esperado para evitar perdas totais.
Enquanto o preço oficial da safra principal era de 2.800 francos CFA por quilo, muitos acabaram negociando os grãos por apenas 1.300 francos CFA/kg, acumulando perdas superiores a 50%.
Especialistas alertam que a falta de recursos pode afetar diretamente a produtividade futura, já que muitos produtores terão dificuldade para investir em adubação, manejo e controle fitossanitário das lavouras.
Embora operadores internacionais avaliem que a crise ainda não impacta de forma significativa o mercado global do cacau, cresce a preocupação com os efeitos estruturais para as próximas temporadas.
A situação também é acompanhada com atenção por regiões produtoras de cacau no Brasil, incluindo o sul da Bahia, devido à influência da Costa do Marfim no mercado internacional da commodity.
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