China defende “não interferência” após decisão dos EUA sobre PCC e CV
A China se manifestou após o anúncio do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Nesta sexta-feira (29), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, afirmou que o país mantém sua posição de defesa do princípio da “não interferência” em assuntos internos de outras nações.
A declaração ocorre em meio à repercussão internacional provocada pela medida anunciada por Washington, que prevê a inclusão das facções brasileiras em listas ligadas ao combate ao terrorismo e ao financiamento de organizações consideradas ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos.
O posicionamento chinês acontece às vésperas da visita do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, a Pequim, em um momento de crescente debate sobre os possíveis impactos diplomáticos e jurídicos da decisão norte-americana.
Nos últimos dias, integrantes do governo brasileiro e especialistas em relações internacionais demonstraram preocupação com os efeitos da classificação, especialmente em temas ligados à soberania nacional e à possibilidade de ampliação da influência dos Estados Unidos em questões de segurança pública envolvendo o Brasil.
O governo dos EUA anunciou que PCC e Comando Vermelho passarão a ser enquadrados como organizações terroristas estrangeiras a partir de 5 de junho. Segundo o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, as facções possuem atuação transnacional e representam ameaça à segurança regional e aos interesses americanos.
A decisão segue gerando repercussão política dentro e fora do Brasil e deve continuar no centro das discussões diplomáticas nos próximos dias.
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