‘Eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar visto do Padilha’, diz Lula sobre assessor de Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (13) que o assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para temas relacionados ao Brasil, Darren Beattie, só poderá entrar no país quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tiver seu visto liberado para entrar nos Estados Unidos.
A declaração foi dada durante agenda no Rio de Janeiro, onde Lula participou da inauguração do Hospital Federal do Andaraí.
Segundo o presidente, a decisão segue o princípio de reciprocidade diplomática. No mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores revogou o visto de Darren Beattie.
“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde [Alexandre Padilha], que está bloqueado”, afirmou Lula.
Vistos cancelados
Em agosto do ano passado, os Estados Unidos cancelaram os vistos da esposa e da filha de 10 anos de Alexandre Padilha. O visto do ministro não foi cancelado porque já estava vencido.
No mês seguinte, Padilha informou que recebeu autorização para entrar nos EUA para participar de uma reunião da Organização das Nações Unidas, em Nova York.
Durante o evento no Rio, Lula voltou a citar o episódio ao comentar a decisão envolvendo o assessor norte-americano.
“Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos. Então, Padilha, esteja certo que você está sendo protegido”, disse o presidente.
Visita a Bolsonaro barrada
Na quinta-feira (12), o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, negou a visita de Darren Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de 2022.
A visita havia sido solicitada pela defesa de Bolsonaro. Inicialmente, Moraes havia autorizado o encontro em data diferente da pedida pelos advogados, mas posteriormente voltou atrás e negou a autorização.
A nova decisão veio após o Itamaraty afirmar que a visita poderia configurar ingerência indevida nos assuntos internos do Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores também destacou que não havia compromisso diplomático previamente confirmado com Beattie.
Segundo Moraes, a visita não estava dentro do contexto diplomático que justificou a concessão do visto ao assessor norte-americano.
“A realização da visita de Darren Beattie, requerida pela defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto”, afirmou o ministro.
Darren Beattie é crítico do governo Lula e da atuação de Moraes no Supremo. No governo americano, ele atua na formulação e acompanhamento de políticas de Washington em relação ao Brasil.
Desde janeiro, Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão, e as visitas ao ex-presidente precisam ser autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo.
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