EUA chamam de “absurdo” alerta do Itamaraty sobre risco de ação militar no Brasil
O governo dos Estados Unidos rebateu a avaliação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) de que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas poderia abrir espaço para uma eventual ação militar norte-americana em território brasileiro.
Em nota enviada ao g1 nesta terça-feira (7), um porta-voz do Departamento de Estado classificou como “absurdo” o entendimento apresentado pelo chanceler Mauro Vieira e afirmou que as medidas adotadas pelos EUA estão amparadas na legislação norte-americana.
“Esse comentário é um absurdo. Os Estados Unidos estão adotando medidas decisivas, com base em suas próprias prerrogativas soberanas, para combater narcoterroristas”, declarou o porta-voz.
Segundo o governo norte-americano, as facções brasileiras já atuam em território dos Estados Unidos e, por isso, serão alvo de ações previstas na legislação do país.
A manifestação ocorre após o Itamaraty encaminhar à Câmara dos Deputados um documento, no último dia 2 de julho, alertando para possíveis consequências da decisão unilateral dos EUA de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas internacionais.
No documento, assinado pelo ministro Mauro Vieira, o governo brasileiro afirma que a medida pode justificar ações extraterritoriais nas áreas financeira, migratória e penal e cita, entre os possíveis desdobramentos, o risco de uso da força militar norte-americana contra o território brasileiro.
O Itamaraty também informou que o Brasil não foi comunicado oficialmente sobre a decisão antes do anúncio feito pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
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