Marão tem quase 18 mil votos, fica em segundo em Ilhéus, mas não consegue vaga na Assembleia Legislativa
O ex-prefeito de Ilhéus Mário Alexandre, Marão (Avante), não conseguiu transformar em mandato na Assembleia Legislativa da Bahia a força política construída ao longo dos oito anos em que comandou o município. Candidato a deputado estadual nas eleições de 2026, Marão terminou a disputa com quase 18 mil votos na Bahia e ficou fora das 63 cadeiras da Alba.
Apesar da derrota no cenário estadual, o resultado em Ilhéus mostra que o ex-prefeito ainda mantém uma base eleitoral relevante. Marão recebeu 7.461 votos no município, ficando na segunda colocação entre os candidatos a deputado estadual, atrás de Pedro Tavares (União Brasil), apoiado pelo atual prefeito Valderico Júnior, que alcançou 10.796 votos.
O desempenho, entretanto, ficou distante da demonstração de força eleitoral apresentada pelo grupo de Marão quatro anos antes. Em 2022, quando ainda estava no auge de seu segundo mandato como prefeito, o grupo conseguiu eleger Soane Galvão, então primeira-dama de Ilhéus, deputada estadual.
Naquela eleição, Soane conquistou 61.399 votos em toda a Bahia, distribuídos por 257 municípios. Somente em Ilhéus foram 23.254 votos, o equivalente a 37,87% de toda a votação recebida pela então candidata. Soane terminou eleita para a Assembleia Legislativa.
A comparação ajuda a dimensionar a mudança do cenário político. Considerando apenas Ilhéus, Marão recebeu em 2026 15.793 votos a menos do que Soane havia conquistado na cidade em 2022. Estadualizando a comparação, os quase 18 mil votos obtidos pelo ex-prefeito também ficaram muito abaixo dos mais de 61 mil alcançados por sua esposa quatro anos antes.
O resultado ocorre depois de uma reta final de governo marcada por desgaste político e eleitoral. Uma pesquisa AtlasIntel/A TARDE realizada durante a eleição municipal de 2024 apontava 72% de desaprovação à gestão de Marão e 15% de aprovação. O levantamento também indicava dificuldade do então prefeito para transferir votos ao candidato escolhido para sua sucessão, Bento Lima: apenas 24,5% dos eleitores que haviam votado em Marão em 2020 declaravam intenção de acompanhar seu candidato.
O grupo ainda enfrentou mudanças em sua composição política. Em julho de 2024, por exemplo, o PSB anunciou oficialmente sua saída da base municipal para seguir outro caminho na disputa pela Prefeitura. Meses depois, o candidato apoiado por Marão não conseguiu chegar ao segundo turno da eleição municipal.
Isso não significa, porém, que Marão esteja politicamente fora do jogo.
Os 7.461 votos recebidos dentro de Ilhéus, suficientes para colocá-lo à frente de diversos deputados e candidatos com estruturas partidárias relevantes, indicam a permanência de um eleitorado identificado com o ex-prefeito. O número é significativamente menor do que a força demonstrada pelo grupo em 2022, mas ainda representa capital político em uma cidade na qual as alianças e os grupos eleitorais historicamente passam por constantes reorganizações.
Marão também carrega um histórico eleitoral que não pode ser desconsiderado. Foi eleito prefeito de Ilhéus em 2016, conquistou a reeleição em 2020 e, no meio do segundo mandato, participou diretamente da eleição de Soane Galvão para a Assembleia Legislativa.
Por isso, o resultado de 2026 permite duas leituras simultâneas: Marão perdeu força em comparação com o período de maior influência de seu grupo, mas não desapareceu eleitoralmente. A votação obtida em Ilhéus demonstra que o ex-prefeito continua reunindo uma parcela relevante do eleitorado, embora não tenha conseguido regionalizar essa força em quantidade suficiente para chegar à Alba.
A partir de agora, os movimentos de Marão deverão ser observados principalmente sob a perspectiva das eleições municipais de 2028. Fora do Executivo e sem mandato parlamentar, a maneira como o ex-prefeito reorganizará seu grupo, construirá novas alianças e se posicionará diante da atual administração ajudará a indicar qual espaço pretende ocupar no próximo ciclo político de Ilhéus.
A eleição de 2026, portanto, representa um revés para o projeto estadual de Mário Alexandre, mas não necessariamente o encerramento de sua trajetória política. Em política, quatro anos costumam ser suficientes para alterar alianças, reconstruir grupos e modificar completamente o cenário eleitoral.

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