Nota da UMES expõe tensão entre movimento estudantil e grupo político em Ilhéus
A União Municipal dos e das Estudantes de Ilhéus (UMES) divulgou uma nota de repúdio denunciando supostos obstáculos enfrentados pelo CPOP UMES – Turma Everaldo Anunciação, cursinho popular vinculado à Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), programa do Ministério da Educação voltado à preparação de estudantes de baixa renda para o Enem e vestibulares.
No documento, a entidade acusa o Núcleo Territorial de Educação (NTE-05) e integrantes do grupo político da pré-candidata a deputada federal Adélia Pinheiro (PT) de dificultarem a utilização de espaços da rede estadual para a realização das atividades do cursinho. Segundo a UMES, a situação ocorre há mais de dois anos e teria provocado uma série de negativas e entraves que comprometeram o funcionamento do projeto.
A entidade afirma que os problemas teriam se intensificado após denúncias feitas pela própria UMES sobre supostas irregularidades envolvendo instituições governamentais. Na nota, os estudantes classificam a situação como perseguição política e afirmam que não aceitarão tentativas de intimidação ou silenciamento.
O CPOP UMES leva o nome de Everaldo Anunciação, ex-vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e uma das principais lideranças ligadas à educação popular na Bahia. Para a entidade, o fato de o projeto homenagear uma figura histórica do partido torna ainda mais contraditórias as dificuldades enfrentadas.
A nota também destaca que outros cursinhos contemplados pelo mesmo edital estariam funcionando em escolas estaduais da região, enquanto o projeto da UMES teria sido impedido de utilizar esses espaços. A entidade afirma ainda que iniciativas ligadas a grupos políticos próximos à pré-candidatura de Adélia Pinheiro estariam recebendo tratamento diferente.
Apesar das críticas ao governo estadual, a UMES agradeceu à Secretaria Municipal de Educação de Ilhéus pelo apoio oferecido para a continuidade das atividades. Segundo a entidade, a gestão municipal disponibilizou escolas da rede municipal para garantir o funcionamento do cursinho e evitar prejuízos aos estudantes.
Vereadores do município também foram citados na nota por apoiarem a iniciativa e defenderem a importância do projeto para a educação local.
A UMES reforçou ainda sua independência política, afirmando que não possui vinculação partidária e que continuará cobrando e fiscalizando qualquer gestão quando considerar necessário. Segundo a entidade, sua atuação tem como prioridade a defesa dos direitos dos estudantes e o fortalecimento da educação popular.
Até o momento, os envolvidos citados na nota sustentam que as situações apontadas estariam relacionadas a procedimentos administrativos. O caso amplia o debate sobre o acesso de projetos educacionais populares aos espaços públicos e pode gerar novos desdobramentos políticos e institucionais na região.
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