‘Sua Voz é Nossa Voz’: Em Barreiras, ACM Neto propõe ampliar rede de proteção e criar auxílio para mulheres vítimas de violência

‘Sua Voz é Nossa Voz’: Em Barreiras, ACM Neto propõe ampliar rede de proteção e criar auxílio para mulheres vítimas de violência

A discussão sobre políticas públicas voltadas às mulheres marcou mais uma etapa do projeto Sua Voz é Nossa Voz, realizada na noite desta quinta-feira (16), em Barreiras, no oeste da Bahia. Entre os relatos apresentados ao ex-prefeito e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), um dos destaques foi o da coordenadora de um Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), que chamou atenção para a distribuição desigual da rede de proteção no estado e para a necessidade de ampliar esse tipo de serviço no interior.

Pedagoga, bacharel em Direito, vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres e há quatro anos atuando no CRAM, Thaylane Rocha afirmou que a estrutura de atendimento ainda é insuficiente diante da dimensão da Bahia. Segundo ela, a região da Bacia do Rio Grande, formada por 14 municípios, conta com apenas uma unidade especializada.

“Porque no estado da Bahia, um estado de 417 municípios, só temos 40 Centros de Referência de Atendimento à Mulher. O meu desejo, como coordenadora de espaço e como mulher, é que em diversos municípios da Bahia esse serviço seja instalado, estruturado e seja administrado com excelência”, disse.

Ao responder à manifestação, ACM Neto relembrou iniciativas implantadas durante sua gestão em Salvador e afirmou que pretende levar a discussão para uma política estadual mais ampla, articulando ações nas áreas de segurança pública, assistência social e geração de renda. O ex-prefeito defendeu que o enfrentamento à violência contra a mulher passa tanto pelo fortalecimento da rede de proteção quanto por medidas capazes de interromper o ciclo de dependência econômica das vítimas.

“A Bahia, infelizmente, hoje é o estado com o maior número de homicídios no Brasil. Não é de hoje, já há 10 anos. Só que, último dado divulgado, mostrou que a Bahia é o estado do Brasil onde morrem mais jovens, negros e mulheres. A Bahia é o estado do Brasil onde as mulheres estão sendo assassinadas em maior número”, afirmou Neto.

Para o ex-prefeito, a resposta ao problema exige atuação direta do governo estadual, com integração entre segurança pública e políticas específicas de proteção às mulheres. Na avaliação dele, a mudança depende de envolvimento permanente do comando do Executivo estadual.

“Existe um lado da moeda, que é o lado da crise da segurança pública, e há um outro lado, que é essa violência inaceitável contra as mulheres. Violência que muitas vezes surge dentro de casa e ela acontece a partir do companheiro, do marido, do namorado, da pessoa que está ali debaixo do mesmo teto. Nós queremos assumir o governo da Bahia para encarar o problema da segurança pública em nosso estado”, indicou.

Na sequência, Neto apresentou medidas que fariam parte de um plano para ampliar a prevenção e a resposta aos casos de violência, combinando reforço da estrutura policial, monitoramento de agressores e expansão da rede especializada para o interior da Bahia.

“As DEAMs, que são as delegacias especializadas, precisam funcionar 24 horas por dia. É preciso aumentar o número de delegacias especializadas no interior do nosso estado. É preciso fazer um trabalho de monitoramento projetivo, porque dá para mapear quais são as vítimas em potencial, quais são os agressores em potencia”, disse.

O ex-prefeito também defendeu que o enfrentamento à violência doméstica esteja acompanhado de políticas voltadas à independência financeira das mulheres. Segundo ele, muitas vítimas permanecem em relações abusivas por falta de condições econômicas para sustentar suas famílias. Como proposta, afirmou que pretende criar um programa de incentivo ao empreendedorismo feminino com prioridade para mulheres vítimas de violência.

“A gente quer apresentar um programa para o empreendedorismo das mulheres. E esse programa vai começar pelas mulheres que são vítimas de violência. Uma assistência financeira direta a essas mulheres e às suas famílias, principalmente às mulheres pobres, para que elas não dependam do que o marido vai colocar no fim do dia ou no fim do mês na mesa para sustentar os seus filhos”, finalizou.

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