Anvisa autoriza início de testes de medicamento brasileiro para tratamento de lesão na medula

Anvisa autoriza início de testes de medicamento brasileiro para tratamento de lesão na medula

Pessoas que sofreram lesão na medula espinhal e perderam movimentos passaram a ter um novo motivo de esperança. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (5), o início dos testes clínicos de um medicamento 100% desenvolvido no Brasil, fruto de quase três décadas de pesquisa científica.

O projeto começou em 1997 e é liderado pela pesquisadora Tatiana Sampaio, professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Há cerca de três anos, a equipe aguardava a liberação da Anvisa para avançar à fase de testes em humanos. A autorização foi anunciada durante coletiva do Ministério da Saúde.

“É o resultado de muitos anos de trabalho, envolvendo universidade pública, empresa, profissionais de saúde, fisioterapeutas e hospitais. É um esforço coletivo”, destacou Tatiana.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a importância do avanço. “É muito significativo termos um produto totalmente nacional, desenvolvido dentro de uma universidade pública”, afirmou.

A pesquisa se baseia na polilaminina, uma rede de proteínas produzida em laboratório a partir de placentas humanas. Essa substância, que se torna escassa no organismo ao longo da vida, tem papel fundamental na conexão entre neurônios. Em estudos anteriores, a aplicação da polilaminina em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos possibilitou a recuperação de movimentos em seis deles, incluindo um paciente que voltou a andar após paralisia do ombro para baixo.

Com a autorização da Anvisa, a substância entra agora na fase 1 dos testes clínicos, voltada à avaliação da segurança. Nesta etapa, cinco pacientes com lesão completa da medula espinhal receberão uma única injeção da polilaminina até 48 horas após o trauma. O acompanhamento será feito ao longo de seis meses para observar possíveis reações adversas.

Caso não sejam identificados efeitos graves, o estudo avançará para as próximas fases, que vão avaliar a eficácia do medicamento na recuperação dos movimentos. Antes de chegar ao mercado, a polilaminina ainda precisa passar por três etapas de testes clínicos, sem prazo definido para conclusão.

“A expectativa é grande. Se os resultados forem positivos, podemos estar mais próximos de um tratamento efetivo. No futuro, a ideia é ampliar o estudo também para pacientes com lesões crônicas, de meses ou anos”, explicou a pesquisadora.

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